quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Burocracia dos infernos

Perdi minha mãe. Gente, eu e minhas irmãs perdemos a nossa mãe. Perdemos nosso colo, nosso chão, nosso tudo. Mamãe era tão especial que pensou nas filhas. Deixou um pequeno seguro de vida. Aquele dinheiro que você não gostaria de receber. Mas então tá, vamos aceitar esse presente dela e resgatar esse valor.

E quando você diz que perdeu sua mãe, as pessoas deveriam ser solidárias, não? as pessoas e instituições deveriam respeitar seu momento, não? Não.

Vem a documentação exigida: todos os documentos, comprovantes, extratos, DNA. E além disso, um relatório médico explicando no formulário próprio as causas da morte. Como assim? o atestado de óbito não diz isso? não, para o mundo fantástico das seguradoras, o atestado de óbito é tipo papel higiênico, não vale nada. Precisa ser preenchido do jeito deles, no formulário deles, quem manda são eles, não?

Só que minha mãe cometeu o grande erro de morrer em Rondonópolis, pois estava conhecendo o Pantanal Matogrossense. Ou seja, a informação não mora ao nosso lado. Faz 2 meses que mandamos a documentação, e o hospital não nos devolve. Descobrimos que a pessoa encarregada disso, que nos cobrou R$ 400,00 para preencher os papéis, está afastada por improbidade administrativa.

Cansamos. Minha irmã pegou um avião e foi para Rondonópolis tentar resolver a situação. Ninguém em nenhum momento pensa como deve ser gostoso para ela ter que visitar o hospital que nossa mãe morreu. Pois bem. Ela chega lá, e a médica que assinou o atestado de óbito se RECUSA a preencher os formulários. Que ela é plantonista, que ela não é paga para isso, que ela não tem essa responsabilidade. Aí você começa a chorar e implorar por ajuda. Ai ela resolve te fazer o FAVOR de fornecer um relatório médico, mas formulário ela não preenche não.

Enquanto isso, em São Paulo, eu ligo na seguradora e pergunto qual o procedimento, uma vez que o hospital se recusa a preencher a informação. A resposta que recebo? "senhora, essa é uma reação comum dos hospitais. Basta então a família escrever uma carta de próprio punho, dizendo que o hospital se recusa a preencher os formulários, reconhecer firma da família e entregar com o processo. Nessa caso, fica valendo os dados do atestado de óbito".

É piada, ?

7 comentários:

Anônimo disse...

É mto triste tudo isso, pois cada vez mais as pessoas estão se tornando frias demais. Será que essa tal médica não se deu conta de que ela lida com dor e tbm com sentimentos?!
E a tal seguradora? Não dá nem para comentar.
Mas o importante é vc e suas irmãs manterem a cabeça erguida. São vcs que estão fazendo um favor para essas pessoas mostrando o que é união e respeito ao próximo.

Leticia

Regina disse...

Até parece que são filhos e filhas de chocadeiras! Ninguém tem mãe????
"Caralhos me fodam!" como diria uma ex-sócia minha!!!!!!
A minha boca nestas horas fica muito suja, mas muito mesmo!
É a mesma sensação que tenho ao ver e ouvir os médicos que atenderam minha mãe lá na Beneficência Portuguesa de Santos!!!

poesia potiguar disse...

Cara, não acredito!

Isso é muito surreal!!Muito pior do que novela da Record, meu Deus!!!! Quando leio uma coisa dessas me ocorre que, definitivamente, a humanidade tá perdida. Perdida!

Minha solidariedade a vocês, meus queridos!

Silvia disse...

Mara
sem comentários!
Só pode ser efeito da ERA DE AQUARIUS!
Beijos

Zilmara Dahn disse...

marinha, com todo o respeito, mas quando li o final tive vontade de rir. parece até sitcom, depois de vcs irem até LÁ, explicam que era só detalhar a recusa num papel de pão e pronto.

piada mesmo!

Anônimo disse...
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mini disse...

MARaaaaaaaaaa...vai se benzer!!!!

afffffffffffff..afffffffffff... precisamos marcar um power encontro urgente!!!!