quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Hope

Nada acontece. E ao mesmo tempo, tudo acontece. E é tão bom. Tão bom não se reconhecer, tão bom não saber como o dia vai terminar. Escrevo que acabou, mas não acabou. Escrevo que voltou, mas acabou. Nada está como eu queria. E, estranhamente, está tudo bem. Dentro de mim, uma certeza de que está tudo certo. Que tudo vai dar certo. Que o melhor vai acontecer.

Deve ser isso a tal da esperança.


terça-feira, 29 de julho de 2014

Hear the sirens

Hear the sirens... hear the sirens...
hear the sirens... hear the circus so profound...

É... você disse que eu saberia quando tivesse acabado. Que não tinha acabado ainda. Que você seria claro e direto e me contaria. Mas você não me contou como seria o durante. Que eu deveria sufocar, que eu deveria prender, que eu deveria esperar. Que eu deveria colocar você e seus desejos de solidão acima de tudo, até de mim. Desculpa, isso eu não posso. Não posso perder minha essência. Não posso me perder de mim mais uma vez. Tudo o que tenho sou eu mesma, não posso abrir mão.

Foi bom te ver mais uma vez. Deve ter sido a última. Pelo menos provei seus lábios mais uma vez. Senti suas mãos quentes nesse dia frio em São Paulo. Dormi sorrindo. Mandei e recebi mensagem carinhosa, isso aquece o coração. Mas alguns dias depois a realidade bate na porta, não tem como ignorar.

Já que não tenho botão DEL no coração, ataquei tudo que é tangível. Emails, mensagens, whatsaps, inbox do face, fotos. Não vou ler mais promessas antigas. Não tenho mais seu telefone para te ligar, nem por engano. Não vou mais sonhar com reconciliações, pedidos de desculpas nem com o seu corpo na minha cama. Não vou fazer planos. Vou seguir. Vou esquecer. Life goes on, diz o ditado. Let it go, diz a música. Entrega, confia, aceita e agradece, diz a yoga. Ok, vou obedecer.

Oh, it´s a fragile thing, this life we lead
If I think too much I can´t get over...

A dor que vou ter que superar é de ter tido a sensação da minha alma ter reconhecido a sua. E é muito triste isso acontecer na vida e você ter que abrir mão. Você sempre será um capítulo na minha vida. Fui feliz, me senti completa. E quando gostamos não queremos que termine. Mas se o outro lado não quer, não gosta, se sentiu preso, não está pronto, não reconheceu, não há muito mais o que ser feito. Se humilhar não é bonito, sofrer não é sexy. E minha natureza é ser feliz, é brincar, é dar risada.

Queria ser malcriada e dizer aqui que um dia você vai se arrepender de ter me dispensado, que um dia vai ser tarde demais. Mas realmente não penso isso. Você é uma pessoa muito especial, e eu espero que não se arrependa de nada. Espero que seja feliz. E se um dia eu passar pelos seus pensamentos, dê um sorriso. E siga em frente.

Por tudo que significou, eu te amo.

Want you to know that should I go

I´ve always loved you, held you high above true
I study your face, the fear goes away...

(Sirens - Pearl Jam)

https://www.youtube.com/watch?v=qQXP6TDtW0w


domingo, 6 de julho de 2014

After

Não sei se é motivo de orgulho ou de preocupação, mas eu nunca fui boa em disfarçar emoções. Quem me conhece vê na hora, pelo meu rosto, meus olhos, se eu estou triste, feliz, preocupada. Canceriana, né? Porém, além do meu corpo dizer tudo, eu ainda gosto de falar. E falo mesmo. Sabe o tal do livro aberto? Prazer, Mara.

Isso funciona bem quando as coisas vão bem. Mas descobri nos últimos tempos que devemos guardar algumas coisas apenas para nós mesmos. É bom falar com os amigos, pedir conselhos, ser consolada, conhecer outros pontos de vista. Mas tem coisa que só a gente sabe, só a gente viveu, só nosso coração sentiu. E chega uma hora que não adianta mais ficar explicando. Acene com a cabeça e siga em frente.

Foi bom esse tempo ter passado. Achei que ia me despedaçar mais. A gente escuta tanta coisa: "se for seu, volta" "o que é seu está guardado" "não apresse o rio" "o mundo dá voltas". E tudo isso é bem verdade, mas quando estamos no meio do problema não conseguimos esperar essa volta do mundo. Queremos saber quem guardou aonde o que é meu. Mas sim, existe vida. Sempre.

Não sei se é a yoga, se é o tempo, se é esperança no coração, se é o mês de julho que chegou... estou bem.

domingo, 15 de junho de 2014

Da aceitação

Aí aparecem os mal entendidos. Que não sei bem se não mal entendidos ou se no futuro ficará claro que foi apenas um pretexto. Ou que foi medo. Ou que foi precipitação. Minha. Dele. Dos dois.

Esses dias foram extremamente difíceis. Coração partido. Muita coisa entalada na garganta. Muita opinião alheia. Eu feito barata tonta, sem saber o que fazer. Mas de alguma maneira termino me achando vitoriosa: liguei, escrevi, procurei quando tive vontade. O resultado não foi o que eu queria, mas como já falei antes, o que eu sinto é de verdade, e com sentimento não se joga. Sentimento não se esconde. Se isso não agrada, o Universo um dia vai me mostrar a pessoa que vai entender [e não se assustar e corresponder com] meu jeito de gostar.

Os dias ainda estão doloridos,  mas cuidei de mim. Aceitei sentir a dor. É só assim que a gente supera. Supera que quis demais, esperou demais, ansiou demais, gostou demais, quis repetir demais. Às vezes o timing está errado. Às vezes ninguém está errado, cada um está vivendo seu momento, suas próprias batalhas. O momento é de agradecer pela lições aprendidas, pelos bons momentos vividos. Pelas risadas, pelos beijos, pelos orgasmos, pelo frio na barriga. Como diz meu Precioso, em vez de lamentar que acabou, ser grato pelo que viveu. E foi bom estar viva de novo!

E vamos seguir em frente que o mundo não pára por causa de um coração partido!


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Sua foto

Numa brincadeira, tirei sua foto. Você não quis, colocou a mão na frente do rosto. Demos risadas e continuamos o almoço. Esqueci da foto, que obviamente não tinha prestado.

Mais tarde, em casa, mexendo no celular, achei sua foto. Meu coração teve um sobressalto. Tudo que eu amo estava lá. A mão, que eu adoro ver gesticulando enquanto fala. As pontas do seu cabelo despenteado, ficando cada dia mais comprido. Esse cabelo que eu gosto tanto de passar a mão. A pequena costeleta grisalha, que charme. As linhas que saem de seus olhos, sempre tão expressivos. Tem uma pequena covinha, provavelmente cobrindo um sorriso de leve. E, por entre os dedos, seu olho. Lindo. Com toda a força que tem o seu olhar. Com todas as coisas que seu olhar diz. Com seu olhar olhando para mim.

Já tinha roubado uma foto de seu facebook. Mas essa é diferente. Essa é MINHA. Olhando para mim. E eu me pego agora dando bom dia e boa noite para sua foto, já que não tenho você aqui todos os dias.

Tenho medo do tanto que gosto de você.




terça-feira, 20 de maio de 2014

A foto

Em outubro do ano passado, eu estava em Frankfurt, trabalhando. Atendi pessoas o dia inteiro. Minha mente transtornada por tanto idioma que ouvia ao mesmo tempo: português, inglês, alemão, espanhol, japonês, chinês. Tentando entender e se fazer entender. Com alegria vi que ia conseguir almoçar e dar uma espairecida. Desci os 3 andares do pavilhão de exposições e fui no andar térreo, tomar ar e vento frio de 4 graus. Comprei um sanduíche caprese, porque não aguentava mais as comidas alemãs, e sentei na pracinha para comer. Tinha uma feirinha na minha frente. Fui lá e me presenteei com um colar de prata. Andando mais um pouco, gostei muito de uma echarpe, toda colorida. Paguei os 10 euros e já coloquei no pescoço (os 4 graus tiveram influência nisso).

Voltei pro evento. Passei antes no banheiro para escovar os dentes, pentear o cabelo. Me olhei no espelho. Lembro que sorri e gostei da imagem refletida. Estava num good hair day. A pele estava boa, e a echarpe ficou super bonita mesmo, combinou com a blusa e o casaco que estava usando. Ao sair do banheiro, resolvi fazer uma coisa que quase nunca faço: tirar uma foto. A tal da selfie. Passei um gloss na boca, posicionei o iphone e pronto. Gostei da foto, e atualizei meu perfil do Facebook.

E hoje escuto o gato dizer que quando viu aquela foto, no meio de tantas outras, teve vontade de me conhecer. Que gostou da energia que sentiu na foto. Que gostou dos meus olhos. Que torceu para que eu o respondesse.

Fiquei pensando naquele dia frio de outubro, quando eu nem sabia que ele existia. Um dia tão nada a ver, tão distante, eu num momento tão de bem comigo mesma faço uma coisa tão corriqueira que influenciaria tanto um futuro próximo? O acaso, o destino... caixinhas de surpresas!


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Autoconhecimento é tudo

Autoconhecimento é tudo. Eu já sabia disso. Me conheço há muito tempo. Vivo comigo mesma há 42 anos. Eu sabia que era tudo uma questão de tempo. Mesmo nos dias de maior desespero. Quando fiz Vigilantes do Peso, anotava tudo que comia, o que sentia. Consegui entender os dias de maior ansiedade. Percebia que engordava 1 semana antes de menstruar. Não resolvi os problemas do peso, mas pelo menos entendi o modus operandi do meu organismo. Não preciso mais anotar nada, sei qual será o desfecho. (claro, a não ser que eu resolva tomar vergonha na cara e voltar a emagrecer - mas isso é assunto para outro post).

Autoconhecimento é tudo. Quando a minha mente viaja pra Marte, pensa no pior. Já sei que é mecanismo de autodefesa. É a mente imaginando o pior para que o real não doa tanto assim. Por exemplo, se alguém querido está doente, minha mente imagina a morte, o velório, o adeus. Aí a pessoa melhora mais ou menos, mas para mim está ótimo, pois eu esperava o pior. Coisas de uma cabeça delirante.

Autoconhecimento é tudo. Só que desde fevereiro eu me sinto numa areia movediça. A dinossaura aqui não se apaixonava desde 1989. Naquele tempo não existiam redes sociais, celulares. Só o telefone da casa do moço, e você tinha hora para ligar, falar com a mãe, etc. Imagina, eu, que tenho blog, twitter, instagram, facebook, whatsapp, totalmente conectada, de repente não sabia lidar com essas coisas na vida afetiva!

Na vida real, entendo você mandar um sms e a pessoa receber e responder horas depois, quando tiver tempo. Eu faço isso. Entendo a pessoa receber um email e responder dias depois. Eu sou a rainha de não responder emails. Entendo demorar para responder uma inbox do facebook, eu faço isso. Entendo não responder um tweet, eu faço isso. Entendo ignorar uma, duas, três ligações, pelo simples fato de que não está a fim de falar com ninguém. Deus, como eu faço isso! Daí o gato faz o mesmo que eu sempre fiz, e eu fico transtornada! Como assim ele leva 2 horas para responder um sms? respondeu meu email apenas no fim do dia? O quê? dormiu e não atendeu minha ligação? Mas como assim o mundo não gira ao meu redor? (esse post chama-se Autoconhecimento é tudo, mas poderia perfeitamente chamar-se Provando do próprio veneno)

Mas voltando ao autoconhecimento. Eu já desisti de ter controle do meu coração. Mas eu sabia que em algum momento eu iria retomar a minha sanidade mental. Que eu iria ficar menos ansiosa. Eu tinha uma recordação nebulosa na minha mente. Naquele ano de 1989, eu também fiquei doida por amor. Transtornada, ansiosa. Lembro que durou uns meses. Lembro que brigamos, terminamos, e quando voltamos a coisa ficou mais tranquila, e seguiu como um namoro normal. Liguei pro ex e perguntei: "André, eu era assim transtornada?" "era", foi a belíssima resposta que recebi. "Quando fiquei normal?" "quando você teve segurança do meu sentimento por você".

Esse fim de semana teve de tudo. Teve eu surtando de ansiedade achando que ele ia cancelar nosso encontro. Daí ele liga confirmando, eu fico feliz e fico puta comigo mesma por deixar ele ser motivo de felicidade. Mas isso é assunto pra outro post. Aí a gente sai e cada minuto com ele é uma delícia. Combinamos de sair no sábado, espero por ele o dia todo, e ele fura. Ansiedade level hard. Mas ficamos 2 horas no telefone, eu perdoo e durmo tranquila. 

Então ele vem tomar café da manhã comigo no domingo. Passeamos pelas ruas, pelo parque, almoçamos. Voltamos pra minha casa. Namoro no sofá. Delícia namorar no sofá. Conversamos muito. Percebi ele me colocando na vida dele. Ele disse que precisamos nos ver mais vezes. Obrigada, querido, era isso que eu queria desde sempre! Um dia ele me disse que se sentia seguro comigo. Respondi que tudo que não sinto é segurança com ele. Depois do dia de domingo, comecei a sentir um pouco. Dormi feliz. Acordei tranquila no dia seguinte. Vou voltar ao normal. Seguirei apaixonada, mas voltarei a ser dona da minha vida de novo, eu sinto. Autoconhecimento é tudo.


sexta-feira, 9 de maio de 2014

Filme real

Hoje de manhã, enquanto minhas mãos e olhos trabalhavam roboticamente no computador, minha mente voava. Estava lá longe. Procurava, sem resposta, uma comunicação telepática com alguém. Procurava saber o que fazer, o que não fazer, o que dizer, o que calar. 

Na tv, passaram 2 comédias românticas. Que eu já tinha assistido. Mas não importava, a tv só estava ligada para me fazer companhia e tentar calar a gritaria dentro da minha cabeça. Li alguns emails, autorizei pagamentos no banco, mas o foco estava muito distante. Parei para olhar os filmes. Nos dois, o amor acontece. Aí o cara vai embora, porque estava com medo de se apaixonar, ou porque achava que existia mulher mais nova, mais bonita. Aí a mocinha come o pão que o diabo amassou. Ela chora, se descabela, se reinventa. Levanta, enxuga as lágrimas e segue em frente. Até arruma outra pessoa. Aí o cara reaparece e percebe que ela é tudo que ele sempre quis. Pede pra voltar, ela titubeia mas o amor é mais forte e o final é feliz.

Esse tipo de filme faz você achar que isso vai acontecer. Que você deu um basta e vai se recompor, mas ah, ele vai te procurar. Tudo vai ficar bem. O amor é lindo. Só que o que acontece em 90 minutos de filme é o que acontece em 6 meses, 1 ano, 2 anos, 5 anos na vida. E isso significa que os 10 minutos que a mocinha chorou pode representar 6 meses de chororô na vida real.

Acreditar no final feliz não faz o meio do filme ser mais fácil.




domingo, 4 de maio de 2014

Crônica da carangueja

O @Acuio postou no face e eu vou colocar aqui. Porque isso é ser canceriana.
Crônica da carangueja esposa de Ló.
*Por Priscila Merizzio.
Nem era amor o que foi embora. Era projeção pautada em idealizações internas irrealizáveis. Quis resolver as paixões conturbadas do passado em sua existência. Joguei sobre suas costelas responsabilidades que não eram suas –– nem de pessoa qualquer. Um vazio preenchido com outro vazio. Tropecei no buraco negro de alguma galáxia. Descobri que o sentimento que criei por você existe sozinho, então, renasço-o secretamente em algumas madrugadas. É fácil. Como a criança que se concentra com força e brinca com seus amigos imaginários. O céu é um espelho. A luneta é meu olho mágico. Olho para cima como se estivesse com portáteis projetores de fotografias antigos, daqueles que eram vendidos durante os espetáculos de circo. O ritual é esse, portanto: olho para cima e para trás Ad infinitum. A algazarra das crianças e jantares de família tira-me de minha concentração simbolista. Quero quebrar as luzes dos postes públicos da cidade. Quero caminhar no escuro, sozinha, em alguma avenida agora deserta. Quero entornar uma garrafa de vodca e dormir embolada com os cachorros de rua. Manchar a grama com o delineador que tenta imitar (de forma decante) as maquiagens de Françoise Hardy. Quero que um estranho me acorde e me leve até seu apartamento aquecido. Quero que ele me dê banho e me coloque para dormir. A princesinha do papai. Como Blanche Dubois, quero acreditar na bondade de estranhos. No entanto, desconfio de tudo. A carência e o fracasso maltratam minha ossatura coberta por carnes humanas desnecessárias.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Anônimo querido

O(a) Anônimo(a) deixou o seguinte comentário no post anterior:


Ainda bem que terminou o texto com "de nada". Obrigada!

Na verdade penso do mesmo jeito. Acho que tenho que ser como eu sou, amar do meu jeito. Se não rolar, em algum lugar desse planeta com 7 bilhões de pessoas deve ter alguém que aprecie. Fui aconselhada inclusive a parar de me expor aqui, já que ele leu (lê ainda? Nunca saberemos!) o meu blog. Que talvez eu devesse inclusive deletar os posts onde declaro minha paixão por ele. Me recuso. Nunca deletei um post. Esse blog existe muito antes de eu saber da existência dele. E ele serve para marcar meus sentimentos e pensamentos num determinado momento. O foco aqui sou eu, não ele. Provavelmente nem penso mais como eu pensava em posts antigos. O bom da vida é mudar, crescer, evoluir. E viver.

O relacionamento ainda é muito novo, nem sei se decola. Por mim, decolaria. Por ele, não faço a menor idéia. Não sei se sou uma transa, uma amiga, ou uma namorada em potencial. Na verdade, acho que ele nem pensa sobre isso, ele está curtindo o momento, sem expectativas, há tanta coisa no mundo dele para se preocupar. E no meu também, só que eu penso mais nele do que nas outras coisas. Invejo essa leveza dele. Eu devia ser assim. Eu não devia pensar tanto. 

O grande problema, querido anônimo, é que tivemos um stress semana passada. Aparentemente superamos, mas não tenho certeza. Eu quero ligar, mas tem dia que não tenho desculpa para isso que não seja dizer que estou com saudade. Ok, isso é fofo, mas ligar todo dia é over. E eu sinto saudade todo dia. Estou indo rápido demais? O que é rápido demais?

Ainda é pouco tempo. Ainda preciso me situar. Preciso de referências. Preciso relaxar. Preciso fazer yoga. Ommmmmmmmmmm...