terça-feira, 15 de abril de 2014
sábado, 12 de abril de 2014
Não é você, sou eu.
Sete anos se passaram. Tanta raiva, tanta magoa, tanta decepção se passou. Tantas sessões de terapia, tantos posts, tantos ombros amigos se passaram. Tantos perdões se passaram. Tanta certeza de que tudo estava no passado.
Aí você finalmente consegue dar um passo. Sempre naquela sua certeza arrogante de que tem domínio de tudo, que sabe levar as coisas, que as coisas são como você quer. E olha, o Universo, Deus, sei lá qual força maior, fez a coisa ser boa pra você: te mandou um cara legal, gentil, que te trata da melhor forma e consideração. Que liga, que responde, que sai, que brinca, que te diverte, que transa.
E você não está bem. E descobre que não está bem por SUA CAUSA. Porque a relação está onde deve estar, no tempo dela. Sempre achei que o meu problema seria não confiar mais em ninguém. E, quando aconteceu, vi que tiraria isso de letra, que meu coração e intuição me ajudariam nisso. O que não esperava acontecer fosse um MEDO terrível de do fim. E, com medo de que isso acabe, cada ligação não atendida, cada SMS demorado para responder é como um pé na bunda.
Essa noite, enquanto ele dormia do meu lado, com as pernas apoiadas nas minhas costas, cheirei o seu ombro, profundamente. E pensei: quero guardar esse cheiro para quando ele não estiver aqui. Em seguinda me dei um tapa na cara mental e pensei: Mara, aproveita esse momento, não pensa no amanhã. Carpe diem, já dizia o filme.
Foi então nessa hora, ali, deitada do lado dele, que acho que entendi: eu já fui feliz. Eu já acreditei que os momentos felizes durariam sempre. E não foi. E descobri que momentos felizes acabam. E acabou, dolorosamente. Levantei, recompus meus pedaços, mas agora descubro que ainda existem rachaduras. Em mim. E o outro não tem nada a ver com isso. Ele não pode resolver isso pra mim. É um processo eu comigo mesma. Aprender que nem todo momento feliz tem prazo de validade.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
The day after
Pronto. Você já se declarou verbalmente e por escrito para a pessoa. E qual o protocolo depois disso?
Quero falar com ele todo dia. Quero vê-lo todo dia. Quero fazer parte da rotina dele. Queria ter o poder de deixar a rotina dele feliz. Mas não posso, sei que não. E, caramba, também tenho vida, né?
Aí fico mal porque ele sabe do que eu sinto. E eu não sei o que ele sente. Mas daí acho ótimo que ele sabe o que sinto. Pois não preciso fazer de conta que não ligo. Mas daí fico mal de novo porque ele sabe o que sinto. Pois isso pode assustar e ele entender como pressão. Mas, ah que droga, não se pode sentir mais nada? Tem que fingir tudo?
Como manter a naturalidade, fazer ar blasé quando você liga e ele não atende? Como controlar as 500 elocubrações mentais dentro de sua pobre cabeça cansada? Porque tudo é lindo e tem explicação quando estou ao lado dele. Quando ele não está, é um mar de interrogações. Sinto uma batata quente entalada na minha garganta.
Ele é um fofo. Ele é gentil. Ele é educado. Ele gosta de estar ao meu lado. Tenho a sensação que ele está se esforçando para gostar de mim. E poxa, tem que ser um esforço? Mas tem uma Mara aqui dentro que realmente acha que um homem não pode amá-la como ela quer. Sempre serei amada como amiga, como companhia. Eu não deveria achar isso, mas acho. Queria ser dona da maior auto estima do mundo. Mas não sou.
Talvez a minha ansiedade esteja estragando tudo. Que pena.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Para o N.
E chegou o dia que finalmente você conseguiu o link do meu blog. Sempre cumpro minhas promessas, não?
Espero que entenda meu suspense. Não era charme, era coração na mão. Pois aqui está a minha alma, e eu achava extremamente perigoso você ler isso tudo - ou o tanto que você vai ter saco de ler mimimi de mulherzinha - sem as coisas que pontuei pessoalmente.
Muitas Maras moram aqui. Tem Maras de todas idades: infantil, adulta, idosa, responsável, chata, boazinha e, no momento, uma Mara adolescente.
Por favor, não surte. Não me julgue. Eu sou exagerada. Eu sou canceriana e meu coração é assim, intenso. Não sei sentir mais ou menos. Mas juro que estou tentando aprender com você a ser mais leve, a não fazer [tantos] planos, a viver o dia de hoje.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
A ---> B
Hoje levei um soco no meu estômago. No meu pobre estômago que estava cheio de borboletas. Que estava tentando se reacostumar com a alegria. Lembrando como era. Sim, eu sei, estou "monoassunto". Sim, uma hora vou falar de outra coisa. Sim, outras coisas me interessam. Mas agora essa é a novidade. E essa era a lacuna de tantos anos, então me deixa falar, sentir, pensar, viver.
Está tudo bem, exceto pelo fato de eu pensar demais. Overthink. O tempo todo. Eu crio histórias, eu sofro por elas. Sofrer por antecedência é meu nome do meio. Mas sei que terei que conviver com isso até saber onde estou pisando. Estou com muito medo de ser inadequada. Aliás, medo é a palavra de ordem aqui. Alterno esse medo com alguns arroubos de coragem: coragem de ligar, coragem de escrever, coragem de me expor. Se o retorno é bom, fico confiante. Se não, fico insegura, fico péssima. Mesmo sabendo que homens reagem diferentemente. Queria uma bola de cristal. Queria avançar o filme só pra saber se o final é feliz.
E se o final não for feliz? vou voltar para onde? para onde eu estava? E o que havia de bom naquele lugar?
Hoje o passado veio e bateu na porta. Bateu na porta, não. Escancarou. Jogou coisas na minha cara. Coisas já resolvidas, encerradas. Mas lembrar delas faz doer tudo de novo.
Então eu estou no meio da corda bamba. E a corda está balançando. A corda é território estranho. E já não dá mais para andar para trás, aquele lugar não me cabe mais. E eu não sei para onde estou indo. O que me espera lá. Não há segurança em nenhuma das duas pontas.
O exercício agora vai ser tentar fazer a travessia ser o mais tranquila - ou menos dilacerante - possível.
domingo, 30 de março de 2014
Play the game
No meio desse fogo que estou sentindo, há um mês atrás, postei no Facebook um trecho da música Play the game, do Queen, que tanto amo:
This is your life
Don´t play hard to get
It´s a free world
All you have to do is fall in love
Play the game...
Minha amiga, sabendo de quem eu estava falando, me disse:
- Mara, você não está indo rápido demais? Se entregando rápido demais? Se apaixonando rápido demais? Vocês nem transaram ainda! Você nem sabe se vai ser bom...
Respondi:
- Uma coisa tenho certeza: um homem que beija daquele jeito é impossível não ser bom na cama!
Voltei ao Brasil e vi que tinha razão... *-*
(não tem como colocar o som de um suspiro aqui, então vai a foto mesmo)
quarta-feira, 26 de março de 2014
Declaração de Dependência
Então eu cheguei em Barcelona. Fiquei encantada com a cidade, com o Gaudi, com tudo. E no meio do encantamento, um falecimento: o meu iphone. Em Madri ele resolveu não reconhecer tomadas, usbs. Não dei a atenção devida ao doente terminal. Em Barcelona, ele resolveu me abandonar. Não carrega mais a bateria.
E eu me vi como uma barata tonta. Eu, que sempre achei que se deve desplugar, que os celulares não devem ser extensões do nosso corpo. Me senti nua, me senti sozinha, me senti abandonada. Sério, fiquei com o humor alterado.
A gente se acostuma com o smartphone, com a dinâmica dele. Tinham 12 dias de fotos da viagem lá dentro - que eu ainda não sei se recuperarei! Tinha o whatsap, onde recebia fotos, vídeos e notícias diárias do meu lindo sobrinho. O mesmo whatsap que me mantinha conectada com o gato. Mas não era só isso: era a chance de ter uma dúvida, querer ver um lugar e olhar na internet, toda a conectividade que ele proporciona. E ser privada disso sem aviso prévio desestrutura.
Ok, a vida segue. Tenho a câmera digital - que não tem a mesma graça e agilidade. Tenho o email. Tenho o facebook pra me comunicar com o gato (ufa!). Mas ficou tudo muito estranho. Tudo meio dependente da boa vontade dos outros. Coisa que é difícil pra mim.
quarta-feira, 19 de março de 2014
E se?
Fiquei 17 anos com o meu ex-marido, entre namoro, casamento e tentativas de remendo no final. E o 18o ano inteiro esperando ele voltar, o que não aconteceu. Logo que terminamos, achei que a tal da fila andaria rapidinho. Não andou. Nada do que apareceu me interessou, o pouco que me interessou eu mesma me desinteressei por motivos bestas. A verdade é que estava fechada, descobri alguns anos depois. Só não esperava estar fechada por quase 7 anos.
Uma das coisas que sempre pensei era: "puxa, conhecer alguém? começar do zero? ter que contar tudo de novo? preguiça...". Aí chega alguém novo e você descobre que tem vontade de falar da sua infância, dos seus sonhos, do seu passado, dos seus amigos, das músicas que você ouve - ou seja, quer virar uma matraca até espantar o pobre candidato.
É difícil viajar quando se está no meio do olho do furacão. Quando a paixão inicial está com tudo. Quando você quer conhecer mais e mais a pessoa, e quando você quer que ela se interesse por você. Hoje estou em Madri. Penso nele. Quero falar com ele. Mas o danado é que não conheço ainda aquela linha tênue entre ser fofa e ser invasiva. Com o ex, sabia que podia mandar torpedinhos, emails, que não incomodava. E recebia de volta. Com ele, ainda não sei essa medida. Ou, melhor ainda, não sei se ele entendeu que eu sou carinhosa e gosto de fazer parte do dia a dia. Mando mensagem fofa, ele responde apenas com "bjosssssss". Eu broxo. No dia seguinte, ele manda mensagem perguntando como foi meu dia, para eu aproveitar a viagem e tals. Eu fico alegre de novo! Não é a coisa mais ridícula do mundo o seu humor variar de acordo com a atenção dele? [sim, é.]
Tenho medo de estar indo com muita sede ao pote. Tenho medo de parecer carente. Tenho medo de ESTAR carente. Tenho medo de criar expectativa. Mas como não criar expectativas? Estou amando esses dias aqui, mas penso todas as noites ao encostar no travesseiro que na próxima sexta estarei com ele. Que vou matar a saudade do beijo dele. E se ele não vier nesse dia? E se ele se desencantou? Mas não pode ser, estamos nos falando no whatsap todos os dias. E se? E se? E se?
Ai, como é difícil a vida de uma adolescente!
sábado, 15 de março de 2014
Love Roller Coaster
Eu tinha esquecido como era estar apaixonada (estou apaixonada? É isso mesmo? Vou rotular assim?). Não me apaixonava desde 1989! Depois a paixão virou amor, e virou rotina, onde se sabia o que o outro pensava, como o outro reagiria... A vida seguiria feliz, mas sem solavancos.
Aí eu me apaixono. Aí eu viajo. Aí eu não paro de pensar no fulano. Sinto frio aqui em Amsterdam e tudo o que eu queria eram os braços dele para me aquecer. Logo eu que sempre me virei sozinha, que cuido do meu auto aquecimento há anos!
Li em algum lugar, algum blog, que infelizmente não me recordo qual, que às vezes devemos nos perguntar onde estamos. Ontem me perguntei 2 vezes: "Mara, você está aí?". Não, eu estava lá no Brasil. "Mara, volta pra cá, olha essa tulipa, você gosta de viajar, viva o presente!". Eu sei, Mara. Mas você tinha que se apaixonar agora? Porque você arrumou essa pra sua cabeça?
Me sinto feliz. Me sinto ridícula. Me sinto numa montanha russa. Tudo dentro de mim é intenso. E desconheço totalmente a intensidade do outro lado. E insegurança é uma coisa que desnorteia uma canceriana...
segunda-feira, 3 de março de 2014
Oi, blog!
Como você tem passado, querido blog, companheiro de tantas histórias e reflexões e, claro, bobagens? Mais de um ano que eu não venho aqui! Não que eu não tivesse o que dizer, pelo contrário. Mas acho que nesses últimos tempos quis guardar algumas coisas só para mim. E minha terapeuta.
Passou 2013. Trabalhei muito, passeei muito. Fui pra Paris e fiquei meses com o coração partido com saudades da Mara de uns 15 anos atrás. Fui para Chicago, fui para New York sozinha, e, nossa, adorei viajar sozinha! Ah, virei tia e meu sobrinho tomou meu coração sem que eu estivesse preparada. E tem outro sobrinho a caminho...
Aí entrou 2014 com aquela cara de ano velho. E eu não esperava que fevereiro fosse chegar com uma surpresa. Eu, que aparentemente achava que NUNCA MAIS ia conhecer alguém... conheci alguém. O gato chegou com um xaveco inteligente, escrevendo português correto (como resistir a isso?). Eu fui dura, coloquei umas mil dificuldades. Me convenceu a sair com ele. Então você sai com um estranho e quando você vê está abrindo seu coração, seus sonhos. E vice versa. Um café na livraria virou um jantar de 4 horas. Nos despedimos e ele me beijou... na mão!
No carro, vim pensando: "ferrou". Acho que eu já pressentia que ele ia me conquistar primeiro para depois rolar alguma coisa. O tal do beijo levou uns 4 encontros para acontecer. No dia que aconteceu, eu estava distraída, achando que nem rolaria mais, que já estava na friend zone. E o beijo foi calmo, carinhoso, doce. Fiquei tão passada que não sei se participei do beijo. No encontro seguinte pedi uma 2a chance, pois queria "participar ativamente" (rá!) e isso virou mais ou menos uma hora de pegação no carro, com vidro embaçando, mais clichê impossível.
Não me reconheço mais. Estou parada e lembro do sabor do beijo. Das mãos quentes no meu corpo. da boca macia. Da voz no meu ouvido dizendo "me dá a sua língua!" (eitcha, vai virar blog erótico?). E tudo o que quero é que a coisa continue. Quando vi, estava comprando lingerie nova. Estava fazendo planos. Criando expectativas. Sofrendo por expectativas criadas. Viajo daqui 8 dias para a Europa e, ao invés de fazer roteiros, estou pensando que ficarei 19 dias sem o beijo dele.
Não sei se ele é disponível para relacionamentos. Não sei se ele quer namorar. Nem eu sei se quero (mentira, não quero agora mas sei que vou querer). Mas estou com vontade de viver o que for. De ir até o fim. Estou até com vontade que dê errado. Para sofrer. Para cantar músicas tipo I can´t live if living is without you e pensar em alguém. Por que isto é viver. E fazia muito tempo que eu não vivia.
Tenho vontade de ser doida, de me declarar, de fazer drama, de postar no face aquelas frases enigmáticas que irritam todo mundo, falando do amor, do sol, das estrelas (ah, as línguas que a gente paga...) Todas aquelas bobagens. Meu coração está cheio de dúvida, de insegurança e de... tesão.
Vou aproveitar que esse blog está abandonado e não sobrou ninguém para ler para dizer: acho que estou apaixonada... e salve-se quem puder!
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