sábado, 15 de março de 2014

Love Roller Coaster

Eu tinha esquecido como era estar apaixonada (estou apaixonada? É isso mesmo? Vou rotular assim?). Não me apaixonava desde 1989! Depois a paixão virou amor, e virou rotina, onde se sabia o que o outro pensava, como o outro reagiria... A vida seguiria feliz, mas sem solavancos.

Aí eu me apaixono. Aí eu viajo. Aí eu não paro de pensar no fulano. Sinto frio aqui em Amsterdam e tudo o que eu queria eram os braços dele para me aquecer. Logo eu que sempre me virei sozinha, que cuido do meu auto aquecimento há anos! 

Li em algum lugar, algum blog, que infelizmente não me recordo qual, que às vezes devemos nos perguntar onde estamos. Ontem me perguntei 2 vezes: "Mara, você está aí?". Não, eu estava lá no Brasil. "Mara, volta pra cá, olha essa tulipa, você gosta de viajar, viva o presente!". Eu sei, Mara. Mas você tinha que se apaixonar agora? Porque você arrumou essa pra sua cabeça?

Me sinto feliz. Me sinto ridícula. Me sinto numa montanha russa. Tudo dentro de mim é intenso. E desconheço totalmente a intensidade do outro lado. E insegurança é uma coisa que desnorteia uma canceriana...


segunda-feira, 3 de março de 2014

Oi, blog!

Como você tem passado, querido blog, companheiro de tantas histórias e reflexões e, claro, bobagens? Mais de um ano que eu não venho aqui! Não que eu não tivesse o que dizer, pelo contrário. Mas acho que nesses últimos tempos quis guardar algumas coisas só para mim. E minha terapeuta.

Passou 2013. Trabalhei muito, passeei muito. Fui pra Paris e fiquei meses com o coração partido com saudades da Mara de uns 15 anos atrás. Fui para Chicago, fui para New York sozinha, e, nossa, adorei viajar sozinha! Ah, virei tia e meu sobrinho tomou meu coração sem que eu estivesse preparada. E tem outro sobrinho a caminho...

Aí entrou 2014 com aquela cara de ano velho. E eu não esperava que fevereiro fosse chegar com uma surpresa. Eu, que aparentemente achava que NUNCA MAIS ia conhecer alguém... conheci alguém. O gato chegou com um xaveco inteligente, escrevendo português correto (como resistir a isso?). Eu fui dura, coloquei umas mil dificuldades. Me convenceu a sair com ele. Então você sai com um estranho e quando você vê está abrindo seu coração, seus sonhos. E vice versa. Um café na livraria virou um jantar de 4 horas. Nos despedimos e ele me beijou... na mão!

No carro, vim pensando: "ferrou". Acho que eu já pressentia que ele ia me conquistar primeiro para depois rolar alguma coisa. O tal do beijo levou uns 4 encontros para acontecer. No dia que aconteceu, eu estava distraída, achando que nem rolaria mais, que já estava na friend zone. E o beijo foi calmo, carinhoso, doce. Fiquei tão passada que não sei se participei do beijo. No encontro seguinte pedi uma 2a chance, pois queria "participar ativamente" (rá!) e isso virou mais ou menos uma hora de pegação no carro, com vidro embaçando, mais clichê impossível.

Não me reconheço mais. Estou parada e lembro do sabor do beijo. Das mãos quentes no meu corpo. da boca macia. Da voz no meu ouvido dizendo "me dá a sua língua!" (eitcha, vai virar blog erótico?). E tudo o que quero é que a coisa continue. Quando vi, estava comprando lingerie nova. Estava fazendo planos. Criando expectativas. Sofrendo por expectativas criadas. Viajo daqui 8 dias para a Europa e, ao invés de fazer roteiros, estou pensando que ficarei 19 dias sem o beijo dele. 

Não sei se ele é disponível para relacionamentos. Não sei se ele quer namorar. Nem eu sei se quero (mentira, não quero agora mas sei que vou querer). Mas estou com vontade de viver o que for. De ir até o fim. Estou até com vontade que dê errado. Para sofrer. Para cantar músicas tipo I can´t live if living is without you e pensar em alguém. Por que isto é viver. E fazia muito tempo que eu não vivia.

Tenho vontade de ser doida, de me declarar, de fazer drama, de postar no face aquelas frases enigmáticas que irritam todo mundo, falando do amor, do sol, das estrelas (ah, as línguas que a gente paga...) Todas aquelas bobagens. Meu coração está cheio de dúvida, de insegurança e de... tesão. 

Vou aproveitar que esse blog está abandonado e não sobrou ninguém para ler para dizer: acho que estou apaixonada... e salve-se quem puder!


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Nasci pra me incomodar

O que você faz quando percebe que a pessoa está embarcando numa furada? Que ela está se tornando submissa, Amélia mulher de verdade? Mas que, mesmo assim, trabalha, paga tudo, e o bonitão apenas desfruta todo o padrão de vida que ela proporciona? E que, com isso tudo, ela está FELIZ? Tão feliz que não enxerga um palmo na sua frente, que esse amor que hoje é um machão fofo vai se tornar um machista insuportável daqui uns anos? Como dizer SAI FORA, VOCÊ MERECE ALGO MELHOR??

Comecei a escrever esse post em 10 de novembro de 2012 e parei. Deixei salvo no rascunho para terminar outra hora. E não consegui retomar mais. E não consegui retomar mais porque simplesmente resolvi não pensar mais assim. O relacionamento sim, me incomoda enquanto espectadora e por amar a Amélia em questão. Mas, caramba, eu sou ESPECTADORA. Tenho que parar de sofrer com as burrices alheias. Se é que é burrice, né? Pois eu, a sabichona, cheia de regras, estou sozinha há tanto tempo que nem me atrevo mais a contar.

Tomei a decisão de tentar ser mais leve, de não julgar as escolhas das pessoas. Falei disso neste post. E mudei meu modo de pensar, mesmo. Cara, a vida ficou tão melhor! Não falei nada disso com ninguém, apenas fiquei na minha. Sobre esse relacionamento acima, que tanto me estressava, tive uma prova: comecei a conversar mais com o rapaz, a brincar, a baixar minhas defesas. O resultado disso foi minha Amélia querida mais perto de mim e uma paz no coração. Vou me preocupar sempre, eu sei. Mas tenho que aceitar, como uma mãe aceita o destino de uma filha.

Mas aí a vida... ah, essa malandra! Me faz voltar à estaca zero quando eu menos espero!

Nessa vibe Marinha Paz e Amor fui me encontrar com uma amiga, que casou com um cara escrotíssimo. Tratava ela mal, ameaçou de bater uma vez, usou o coração dela como pano de chão. Mas, no ano passado, aparentemente melhorou, casou com ela, segundo ela tudo estava lindo e maravilhoso. E meu coração amoleceu e eu achei que o amor era lindo e tudo construía. Agora ela me anuncia que estava grávida, que o sonho dela agora estava completo. Abracei, feliz, desejei tudo de melhor. E vamos jantar. Ela pede pro marido pegar um sei o quê na geladeira. O FDP responde: você quem quer, vai lá pegar você. E assim foi por toda a noite: ridicularizando-a, não ajudando em nada, mandando ela calar a boca se falasse em cima dele. No dia do aniversário dela, na frente dos amigos dela, na semana que ela descobriu que estava grávida!

Fiquei olhando incrédula. Sério, gente, não tem homem no mundo não? Tudo que consigo pensar são naqueles chavões do antes só que mal acompanhada, etc e tal...

(e lá se vai por água abaixo meus planos de amar quem meus amores amam...)


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Mirror, mirror

Esse janeiro de 2013 começou com tudo. No primeiro dia útil de 2013, logo cedo, recebo a ligação do meu RH que a pessoa que falei nesse post contenhe probrema estava pedindo demissão e qual era minha posição. Quase gritei no carro: ACEITAAAAAAA!!! Desliguei o celular e não conseguia desarmar o sorriso do meu rosto. Só pensava no quanto estava te amando, 2013, seu lindo!! Não é absolutamente maravilhoso a pessoa pedir demissão antes de você mandá-la embora e sofrer por achar que vai causar algum tipo de mal?

Isto posto, comecei o ano fazendo auditoria e reestruturando o departamento antes de fazer a nova contratação. O que significou que não tive tempo para mais nada, nem para as resoluções de ano novo, tais como começar a ginástica, ou escrever no blog ou, pior ainda, retocar a raiz branca do cabelo.

Sábado estava num jantar delicioso na casa da Sil, e fui ao banheiro. Na hora de lavar as mãos, me olhei no espelho, e não gostei do que vi: estava com o cabelo preso, tal qual uma evangélica descuidada, na esperança que o branco não aparecesse, mas ele aparecia. Minha pele estava manchada. Fiquei olhando a minha imagem refletida e me prometendo que amanhã mesmo pintaria o cabelo (o que fiz) e na segunda-feira iria dar um novo corte (o que não fiz) e ligar para agendar a dermato (o que também não fiz).

Assim que voltei pra sala, eles olham pra mim e dizem: "Mara, estávamos falando sobre autoestima, e como você tem uma ótima, que isso transparece em você". Fiquei olhando sem saber se ria ou se chorava, depois do que tinha acabado de pensar sobre mim mesma no banheiro, segundos atrás. O papo foi bem interessante: A Sil acha que eu, mesmo com meu sobrepeso, ando com segurança, tiro muitas fotos, que é uma coisa que ela quase não faz. Pensando bem, é por aí. Eu estou insatisfeita comigo sim, mas não me acho feia. Nunca me achei. Nunca achei que fosse o fim da linha, por mais desanimada que estivesse. Será que autoestima é isso aí?

Vou cuidar disso com mais atenção. Mas é bem interessante como o olhar do outro é tão diferente do seu.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Balanço


Gostei de 2012 sim. Tive muito pouco tempo pro blog, pras outras redes sociais. Às vezes até tive tempo, mas faltou saco. Encaro isso de forma positiva. Cuidei mais da vida real que da virtual.

Cuidei do meu coração. Acho que finalmente consegui estancar umas mágoas, consegui colocar pessoas no seu devido lugar dentro de mim. Parei de dar importância a quem não me dá importância. Ou a não dar importância às coisas ruins vinda de quem tem importância. Acredite, isso não é fácil e leva tempo. Muito tempo, no meu caso.

Viajei muito. Foram 3 viagens internacionais, que me fizeram ver um mundo novo, coisas novas, coisas lindas. Cresci como ser humano, alimentei minha alma.

Profissionalmente, ainda tenho coisas a resolver. Mas o grande trunfo de 2012 foi o processo de coaching. Consegui colocar coisas na empresa com muito mais assertividade, separar profissional de pessoal. Ainda há muito o que percorrer, mas creio ter o "mapa da mina" nas minhas mãos.

Em 2012 pequei pela saúde. Como mudei de convênio, recolocar médicos foi uma tarefa complicada. Fiz exames ginecológicos no fim de 2011 e cheguei ao fim de 2012 sem ter achado um novo ginecologista para mostrar. Não consegui ir atrás do fisiatra, do endócrino, dei cano na dermato no meio do ano e não remarquei mais. Ou seja, no quesito cuidar de mim fisicamente... falhei! Só não me dou nota zero porque não falhei no dentista e na manutenção do aparelho. Em 2012 pequei pela saúde e meu corpo teve que dar conta sozinho do tranco, sem nenhuma ajuda da minha parte.

Financeiramente, foi um ano tranquilo. Não sobrou (claro, do jeito que eu viajei), mas não faltou. Vivi bem. Fui a shows, passeios, restaurantes, me mimei como pude. Agora no início de dezembro, quando estava acalentando a idéia de trocar de carro, sofri um acidente (e esclareço: esse acidente foi mais grave na minha mente, no meu susto, na minha sensação de fragilidade, do que na realidade). Fiquei catatônica 3 dias, levantei e comprei um carro novo. Chegou há 3 dias e eu estou in love. Mais pelo sistema integrado do som do que pelo motor. Adorei esse presente de mim para eu mesma de última hora. Mereço.

Estou entrando 2013 tranquila. Com fé. Com esperança. Com a certeza de que Deus me reserva coisas boas. Prometi não prometer nada. Mas quero cuidar de mim. Fiz supermercado ontem e comprei salada e frutas. Se não der certo em janeiro, tem fevereiro, tem abril, tem junho, tem outubro pra dar certo.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

My own apocalipse

Dia 07 de dezembro de 2012, uma sexta feira, cerca de 22:30, eu vi a morte.

A semana tinha sido difícil e puxada no trabalho. Quando a noite chegou, resolvi relaxar. Tomei banho, jantei e deitei no meu delicioso sofá para ver um filme do Telecine. Tava vendo uma comédia boa, dei risada. E comi 2 sonhos de valsa. Deitada em berço esplêndido. Então comecei a sentir calor. Pensei em ir ao quarto pegar o ventilador. Mas pensei que, já que iria para o quarto, terminaria de ver o filme por lá, já que o lençol era mais geladinho que o sofá. Levantei.

Deu cãibra na minha perna direita inteirinha. Uma dor enlouquecedora. Tentei caminhar o metro e meio de chão até o balcão da cozinha americana, foi um suplício. Dei a volta no balcão e coloquei o pé no azulejo, para ver se a perna retornava. Só não contava que minha vista escurecesse completamente. Não enxergava nada, agarrada naquele balcão. Meus ouvidos zumbiam. Não tenho idéia se tinha voz. Todos meus sentidos se foram.

Menos minha mente. Agarrada naquele balcão, a pose que Napoleão perdeu a guerra. Tinha certeza que estava morrendo. E dentro de mim, chorei. Não era justo minha vida acabar daquele jeito. Com aquela camisola chinfrim e esgarçada que eu estava usando. Pelo menos a calcinha estava limpa e ok, sem furos e elásticos soltos. Até eu achar que estava fazendo xixi, pois sentia todo meu corpo molhado. Naquela posição, agarrada no balcão. Pensei quantos dias minha família levaria para vir procurar meu cadáver. Acho que ia ser só na 2a feira, e eu eu estar dura, agarrada no balcão, e qual seria o formato do meu caixão? Quem viria para meu velório? Eu deixei as coisas em ordem na empresa? Ah, deixei sim. Minha irmã tem todas as senhas. As escrituras e certidões estão aqui na gaveta. Meu pai sabe o esconderijo do dinheiro. Mas e o meu caixão, como vão acomodar meu corpo duro e gelado nessa posição que eu morri? Será que é melhor eu me jogar no chão? Meu cachorro vai sentir minha falta, tadinho!

Bom, vou morrer. Deixa eu rezar um Pai Nosso. Encomendar meu corpo. Me arrepender dos meus pecados. Misturei Pai Nosso com Ave Maria, mas certamente Deus perdoa. Fui uma boa pessoa. Vou pro céu. Mas achava que ainda merecia mais uns dias felizes aqui, mas vamos lá. Peraê, cadê minha mãe que não veio me buscar? Não é possível que não vou chegar do outro lado sem ser com minha mãe segurando minha mão! O que ela tem de mais importante pra fazer lá do que me conduzir? ai que raiva! Era o mínimo ver minha mãe! olhei pro outro lado, respirei... inspirei, expirei...respirei... fui voltando. Comecei a ver a minha sala, e nada da minha mãe. CADÊ A MINHA MÃE??? Consegui caminhar até a geladeira, abri, e aquele geladinho foi me acalmando. Tomei água gelada, da garrafa mesmo. Estava totalmente suada, mas não era xxi não. Calcinha continuava OK. Caminhei até o quarto, liguei o ventilador, deitei. 


Acordei no sábado às 9 da manhã. Na minha cama, não na outra dimensão, com minha mãe do lado. Acordei sozinha, calma, tranquila. Não tenho certeza do que aconteceu. O André acha que foi a dor da cãibra, que ele já teve uma desta mesma forma, e perdeu todos os sentidos. Minhas irmãs acham que foi dumping. Dumping é uma reação ao açucar ou gordura que a pessoa que operou o estômago sente. Só que eu nunca tive. Talvez por isso, tenha sido nesta intensidade desta vez. Meu pai se desesperou e quis que eu fosse morar com ele. Aham.

O fato é que eu vivi meu apocalipse naquela sexta. Pode vir o apocalipse desta sexta, 21/12/12. Porque eu não tô nem aí. Desta vez eu vou ver minha mãe. Fim do mundo, vem ni mim!

Update: Nooooooooooo!! Meu Deus, me dá mais uma chance? Me deixa resolver as coisas, me dá um amor, me deixa ser mãe, me deixa mais zen, deixa eu ver minha mãe mais uma vez? Não acaba com o mundo ainda não, juro que vou tentar me transformar em algo melhor!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Contenhe probrema

Aí eu me dei conta que não postava há mais de um mês. E não foi por falta de assunto. Mas faltou tempo, sobrou calor, e muitas vezes, neurônios para concatenar idéias.

Eu resolvi demitir uma assistente. Dessa vez, sofri menos que da outra vez, mas não quer dizer que não  sofri. Mas consegui ser mais profissional, separar emoção do trabalho. Já tinha identificado o problema, conversado com ela por 3 ocasiões. A pessoa não muda, não colabora, não se integra. Chega uma hora que fica muito claro que é a pessoa que se adapta à equipe, não a equipe à pessoa. Demiti. Fiquei uma semana sozinha, sem ajudante, só pra fazer auditoria. Achei sarna pra me coçar, obviamente.

Aí vamos para a segunda parte: a substituição. Delineei o perfil, encaminhei pro RH. Esse fez seleção, me mandou 5 pessoas para entrevistar. Entrevistei - e não há nada mais vago no mundo do que uma entrevista - liguei o achômetro e selecionei a pessoa que considerei mais adequada. PRIMEIRA HORA de trabalho na segunda-feira, ela vai escrever um email, eu ao lado ditando o texto: "a duplicata contém.." e a pessoa escreve: "a duplicata CONTENHE...". Pausa para eu sofrer uma isquemia cerebral. Eu corrijo: "não é contenhe, é contém, M no final". Ela vai e coloca o M no final: CONTENHEM. Segunda isquemia cerebral do dia. E já percebi o que vem por aí.

Ao longo da semana foi uma chuva de emails para mim com belezas da tipo: vencerão no lugar de venceram, verifica-se no lugar de verificasse. E um texto de 3 linhas sem absolutamente nenhuma vírgula. Na 5a feira ela veio pedir feedback, porque estava adorando a empresa e precisava demais do emprego. "Tecnicamente, você é boa. Mas sua ortografia e redação é péssima, e isso é realmente um problema para mim". Agradeceu o feedback, disse que na escola não gostava de português (nota-se), mas que iria se esforçar. Bom, vamos ver. Tenho dó. Mas ultimamente tenho mais dó de mim também, sabe?


Sei que é uma ilusão, que isso não existe... eu sei, eu sei. Mas eu estou tão cansada do mundo corporativo. Das brigas, das encrencas, dos egos, das decisões, de ter que agradar a todos, de não poder agradar a todos. Cansada. Mundo bom de acabar, esse.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

If you love somebody, set them free

Dia 22 de fevereiro de 2007 foi um dia divisor de águas na minha vida. Esse foi o dia que o vaso de cristal rachou, e junto com o vaso todas as minhas crenças e até o que eu ACHAVA que conhecia de mim. Porque a gente sempre fala do outro assim: "ah, se fosse comigo eu não perdoava". Até o dia que acontece com você e você descobre que as coisas não são tão cartesianas assim. Que há possibilidades. Que há dúvidas. Que pode existir perdão. Que poderá haver trauma para sempre. E que pode haver final feliz.

Uma das coisas mais tristes e chocantes desse dia foi a minha vida passar diante dos meus olhos e eu me descobrir uma pessoa arrogante. Sim, a Mara fofinha e querida se achava melhor que os outros, pois sua vida era perfeita. Nem ela sabia que era isso que ela sentia, mas era. E descobrir que era humana, falível... foi praticamente um tsunami emocional.

E hoje, novembro de 2012, olho para mim. A Mara sobreviveu, mais fortalecida. Algumas feridas daquele 2007 ainda doem, alguns traumas ficam e a gente tenta conviver com eles. Mas o que tenho percebido é que ando, mais uma vez, arrogante e julgadora, questionando os relacionamentos alheios pelos meus medos, meus traumas, minhas desconfianças. E quem está vivendo o relaciomento é o outro, porra!






Coloca o cd pra tocar e vai viver sua vida, Mara!


domingo, 11 de novembro de 2012

O dia depois da raiva

Foi como o que minha coach disse: amar não é fácil. Esse negócio de "na alegria e na tristeza" não tem nada de tranquilo. Porque tem momentos que as pessoas que amamos nos magoam (e isso acontece com razoável frequência). E as pessoas não são descartáveis. Não posso deixar de ser amiga, irmã, namorada, filha de outra pessoa só porque discordamos em uma opinião. Amar é saber passar por cima disso, saber que o que aconteceu é menor que todo o resto, e lidar com a situação. O que não significa ceder, ou sobrepor. Significa co-existir.



quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Quem eu sou

Eu sou quem eu sou. E isso é uma coisa muito difícil nos dias de hoje. Neste mundo globalizado, cheio, lotado de pessoas que pensam e que tentam impor suas idéias. E talvez eu tente impor as minhas, não devo ser diferente.

O fato é que eu sou diferente. Não posso pertencer a um mesmo grupo o tempo todo. E tem momentos, como esse, que não me encaixo em nenhum. Sou pobre demais para ser rica. Sou rica demais para ser pobre. Mas a vibe "classe média sofre" também não combina comigo. Não consigo fechar os olhos para a dor humana. Tocar a letra F me dói muito, costumo ter consideração pelo sentimento alheio.

Se eu fosse diferente... se eu fosse de família quatrocentona paulistana, talvez votasse no PSDB. Mas de onde eu vim, ou de onde meu pai veio, não consigo. Se meu pai tivesse me dado meu primeiro carro, talvez eu achasse normal gastar 70.000 reais num carro. Como todos meus carros foram comprados com meu dinheiro, fruto de economias ou prestações mensais, escolho o mais simples. Como andei muito de ônibus e de metrô, sei valorizar o básico. Achei lindo andar de Mercedes em Viena, mas isso não é parte de mim.

Teve uma época de "vacas magras" que eu só tinha UMA calça. E um maloqueiro na casa da minha avó roubou a calça para comprar drogas e minha avó foi peitar, mas isso é assunto pra outro post. Eu só tinha uma calça. Hoje tenho bem mais que isso, mas não tenho o coragem de ir num outlet nos Estados Unidos e comprar 15 calças só porque o preço é bom. Uns bons anos antes da polêmica lei da proibição das sacolinhas plásticas eu já usava sacolas reutilizáveis, pelo simples fato de que todo aquele plástico me irritava. Alías, o consumo excessivo me irrita demais. Não consigo passar 6 meses sem fazer limpeza no closet e mandar coisas embora. Talvez seja mais fácil mandar coisas do que sentimentos embora.

Eu sou os meus sonhos. O sonho de ser mãe que ainda não aconteceu e eu procuro formas de concretizar. Já fui mais gorda, mas já fui mais magra e engordei porque achei que perderia o amor. Perdi o amor de qualquer forma. E até hoje não achei o tamanho certo para encontrá-lo de novo. Talvez eu não esteja pronta para o amor. Será que eu quero me abrir para o amor? Será que eu amo a minha solidão?

Eu sou os traumas que vivi. As rejeições que sofri. Os nãos que levei. As lágrimas que chorei. Os nãos que falei. As lágrimas que provoquei. Os beijos que beijei, os abraços que dei e recebi. Os orgasmos que tive. Os dias de alegria. Os dias de ingenuidade. Os dias que eu acreditei. E todos os outros tantos dias que eu duvidei. Porque o que mais tem dentro de mim é dúvida. E medo de ser dona da verdade.

Eu queria que algumas coisas fossem diferentes. Que fossem mais simples. Que a decisão fosse mais fácil. Que algumas coisas que eu ouço, e que às vezes nem me dizem respeito, não me doessem tanto. Mas não posso fazer nada, eu sou tudo isso que falei.


Para que serve esse post? Não sei. Talvez para ele simplesmente existir. Para talvez eu ler de ver em quando e lembrar de que eu sou feita.