quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Quem eu sou

Eu sou quem eu sou. E isso é uma coisa muito difícil nos dias de hoje. Neste mundo globalizado, cheio, lotado de pessoas que pensam e que tentam impor suas idéias. E talvez eu tente impor as minhas, não devo ser diferente.

O fato é que eu sou diferente. Não posso pertencer a um mesmo grupo o tempo todo. E tem momentos, como esse, que não me encaixo em nenhum. Sou pobre demais para ser rica. Sou rica demais para ser pobre. Mas a vibe "classe média sofre" também não combina comigo. Não consigo fechar os olhos para a dor humana. Tocar a letra F me dói muito, costumo ter consideração pelo sentimento alheio.

Se eu fosse diferente... se eu fosse de família quatrocentona paulistana, talvez votasse no PSDB. Mas de onde eu vim, ou de onde meu pai veio, não consigo. Se meu pai tivesse me dado meu primeiro carro, talvez eu achasse normal gastar 70.000 reais num carro. Como todos meus carros foram comprados com meu dinheiro, fruto de economias ou prestações mensais, escolho o mais simples. Como andei muito de ônibus e de metrô, sei valorizar o básico. Achei lindo andar de Mercedes em Viena, mas isso não é parte de mim.

Teve uma época de "vacas magras" que eu só tinha UMA calça. E um maloqueiro na casa da minha avó roubou a calça para comprar drogas e minha avó foi peitar, mas isso é assunto pra outro post. Eu só tinha uma calça. Hoje tenho bem mais que isso, mas não tenho o coragem de ir num outlet nos Estados Unidos e comprar 15 calças só porque o preço é bom. Uns bons anos antes da polêmica lei da proibição das sacolinhas plásticas eu já usava sacolas reutilizáveis, pelo simples fato de que todo aquele plástico me irritava. Alías, o consumo excessivo me irrita demais. Não consigo passar 6 meses sem fazer limpeza no closet e mandar coisas embora. Talvez seja mais fácil mandar coisas do que sentimentos embora.

Eu sou os meus sonhos. O sonho de ser mãe que ainda não aconteceu e eu procuro formas de concretizar. Já fui mais gorda, mas já fui mais magra e engordei porque achei que perderia o amor. Perdi o amor de qualquer forma. E até hoje não achei o tamanho certo para encontrá-lo de novo. Talvez eu não esteja pronta para o amor. Será que eu quero me abrir para o amor? Será que eu amo a minha solidão?

Eu sou os traumas que vivi. As rejeições que sofri. Os nãos que levei. As lágrimas que chorei. Os nãos que falei. As lágrimas que provoquei. Os beijos que beijei, os abraços que dei e recebi. Os orgasmos que tive. Os dias de alegria. Os dias de ingenuidade. Os dias que eu acreditei. E todos os outros tantos dias que eu duvidei. Porque o que mais tem dentro de mim é dúvida. E medo de ser dona da verdade.

Eu queria que algumas coisas fossem diferentes. Que fossem mais simples. Que a decisão fosse mais fácil. Que algumas coisas que eu ouço, e que às vezes nem me dizem respeito, não me doessem tanto. Mas não posso fazer nada, eu sou tudo isso que falei.


Para que serve esse post? Não sei. Talvez para ele simplesmente existir. Para talvez eu ler de ver em quando e lembrar de que eu sou feita.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A dor do travesseiro

Voltei da Europa há exatos 10 dias, apenas hoje consegui chegar aqui. Ainda não tinha conseguido colocar em palavras alguns sentimentos. Não falei aqui, mas esta viagem foi especial. Eu e minha irmã levamos nossas duas tias idosas (uma bengalante e a outra com problemas mentais) para conhecer a Áustria. Terra dos avôs delas, portanto dos meus bisavôs. Elas e minha mãe planejaram esta viagem por 20 anos, e nunca saiu do papel. Então, eu e minha irmã fizemos essa viagem pela minha mãe, que, com certeza, estava conosco.

Visitamos lugares lindos, reencontrei um amigo querido que mora em Viena que nos mostrou muita coisa, e, principalmente, fiz minhas tias realizarem um sonho. Esta pode não ser a viagem dos meus sonhos, mas possibilitar isso a alguém que não teria essa condições (por causa da língua, do ritmo) é uma alegria e um conforto imenso.

Esta viagem teve um único momento que nos mostrou a pior faceta de um ser humano. Na nossa primeira parada, Lisboa, visitamos a Torre de Belém. Na saída, ao descer os, sei lá, 15 degraus de uma construção medieval não uniforme, minha tia teve dificuldade. Foi se segurando na parede, mas alguns idiotas não tem paciência de esperar, e vão empurrando. Eu e minha irmã fizemos um "escudo" ao redor dela, e fomos amparando sua descida. Os funcionários da Torre, ao perceber a dificuldade dela, barraram a subida de novas pessoas até que ela chegasse ao térreo. Quando faltavam uns 2 degraus para chegar, ouvimos a primeira pessoa da fila, barrada:

- É um absurdooooooo!!! Como que deixam uma pessoa nessas condições vir num lugar desses???

A vaca (sem querer desrespeitar o sagrado animal) era brasileira. Não tive dúvidas e comecei um lindo diálogo:

- Absurdo, minha senhora, é uma pessoa morrer sem realizar sonhos. Minha tia tem direito de estar aqui, você está perdendo apenas 2 minutos de suas férias, que tal um pouco mais de generosidade e humanidade nesse coração?

- Se fosse minha mãe, eu não a traria aqui, disse a vaca.

- Ótimo. Mantenha sua mãe em cativeiro então. A minha tia vai conhecer o mundo.

- É um absurdo eu ter que esperar!!!

- Minha senhora, procure uma igreja, um centro espírita. Trabalhe esses sentimentos. Você não sabe o que a vida te reserva. Você não sabe se semana que vem vai sofrer um AVC ou um acidente de carro e perder o movimento das pernas. Você gostaria que sua filha te mantivesse em cativeiro?

(a filha da vaca olhava pro chão... o marido balançava a cabeça, morrendo de vergonha)

- Eu tenho saúde, minha mãe também. E você - pegando no meu ombro - não deixe de cuidar de seu colesterol, pois você está prestes a ter problemas também.

(ou seja: vaca não tem argumento, vamos terminar me chamando de gorda para arrematar!)

- Minha senhora, a  senhora ainda vai reencarnar umas 80 vezes só pra pagar isso que falou agora. A senhora vai chegar num momento da sua vida que vai se arrepender demais do que falou para minha tia. E o pior, não vai ter como pedir desculpas. E seu marido envergonhado aí do lado está conhecendo muito bem o coração da esposa dele. Vou tratar meu colesterol, mas sugiro que você procure um psiquiatra assim que chegar ao Brasil, suas atitudes não são humanas.

E saí de lá sob uma pequena salva de palmas de algumas pessoas da fila.

Essa mulher foi a exceção. Em todos os lugares de Lisboa, Fátima, Viena, Innsbruck, Frankfurt, elas só encontraram pessoas pacientes, pessoas que ajudaram, pessoas que compreenderam. Pessoas que viram que minha tia tremia ao segurar a máquina, e se ofereciam para bater a foto. A vaca foi exceção, mas infelizmente as coisas ruins marcam.

Esta semana, na terapia, fiz um link dessa situação com o final de Avenida Brasil (que eu não vi a novela, mas não teve como não ver o último capítulo). Na manhã da sexta-feira do final da novela, assistindo TV em casa, peguei uma discussão no programa da Fátima. Várias pessoas apostavam em qual seria o final da Carminha. E uma pessoa lá disse: "o melhor final não é ela morrer, ou ser presa. A melhor punição é ela alcançar a compreensão de todo mal que fez e perder o direito de aproveitar o travesseiro à noite". Essa fala me chamou muito a atenção. E no fim, foi este o fim dela.

E eu pensei na vaca. Em algum momento, naquele dia fatídico, tive que rezar por ela para aplacar o ódio no meu coração e conseguir dormir. Mas eu acho que, em algum momento da vida dela, ela vai lembrar do que fez com minha tia e perder o sono.

Está nas mãos do Universo e suas leis implacáveis.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

We are the champions, my friend

Contra tudo e contra todos, contra até eu mesma que não acreditava... consegui resolver as 1.964.748 coisas que tinha que fazer antes de poder viajar. Consegui deixar fechamento de balanço engatilhado, programar todos os meus pagamentos, do meu pai, da casa das minhas irmãs, da empresa. Consegui responder todos os emails e dar andamento aos processos. Fechei todas as reservas e roteiros da viagem. Comprei euros. Consegui pintar o cabelo. Consegui apertar o aparelho. Consegui fazer as compras que faltava. Consegui visitar o túmulo da minha mãe e pedir proteção. E ainda consegui assistir as 7 temporadas do How I Met Your Mother (minha nova paixão) em 20 dias!


Mereço! As próximas 3 semanas serão ótimas! #oremos

Ahhhhhh... a delícia de deixar programado o aviso de OUT OF OFFICE no email corporativo...

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Post da tripudiação

Alô você que atazanou dizendo que banheira no apartamento é bobagem...


Sexto banho de imersão nesta semana!!! And couting...

(meu Deus, como eu AMO meu apartamento! Thanks God, Thanks, mom!)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Negociadora de mierda

Eu vim com outro grande defeito de fábrica, que me impede de ser a super ultra mega executiva que todos esperam que eu seja: eu não sei pechinchar.

Eu falo isso nas reuniões de comitê, e todos dão risada da minha cara. Para de ser boba, Mara, o mundo é assim. Os preços estão lá em cima para serem abaixados. Bom, e eu não gosto nada nada de viver nesse mundo. Para mim, funciona assim: eu gosto do produto. Posso comprar? compro. Não posso, não compro. Não tenho CULHÕES pra chegar num lugar e ficar pedindo pra baixar o preço.

E a coisa piora pra mim nesse mundo corporativo, onde você contrata assessorias e profissionais liberais. Acho horrível, lá no fundo da minha alma, diminuir o valor de alguém. Então a pessoa me pede R$ 10.000,00 por um trabalho, e eu falo uma contra-proposta de R$ 3.000,00, me sinto péssima. E pior: a pessoa ACEITA. Aí você vai embora com uma dualidade de sentimentos:

1. desvalorizei a pessoa, coitada... (e não tem sentimento pior pra sentir de alguém do que pena)
2. fui enrolada. Se aceitou na primeira, é porque ainda está ganhando. Eu devia era ter descido mais.

Odeio, odeio, odeio. Mas acho que não consigo mudar o mundo, né?



segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Um final de semana de vitórias, meu Deus! (não, esse não é um post de evangelização, fique calmo!)

Estou nessa vibe de "chega de mimimi, faça o que é melhor para você". Ainda no gás que a última sessão de terapia soltou. De não deixar as pessoas ditarem o que, quando, como, onde. A não ser que eu esteja a fim.

Já falei em 500 outros posts o quanto me estresso com os finais de semana. Que aparecem mil compromissos, que eu saio de um e vou pra outro, e não curto, tenho sono para colocar em dia, filmes que eu quero ver, a maratona do Poderoso Chefão que eu programava desde que era casada, e oh oh, 7 anos se passaram e eu ainda não consegui um puto dum domingo pra sentar no sofá e ver os 3 filmes na sequência. Que vida é essa onde os finais de semana te cansam mais que a semana?

Queria um sábado sem hora pra acordar, sem hora pra almoçar, que eu olhasse o tempo e perguntasse pra mim mesma aonde queria ir. Passear no parque? ir no shopping? ficar na cama de pijama? tomar banho de banheira soprando espuma das mãos?

Esse final de semana tinha 4 compromissos. Dois no sábado e dois no domingo. Inclusive os 2 do domingo eram almoços, um às 13hs, outro às 15hs. A Mara antiga olharia isso e falaria: dá para ir nos dois. Mas é justamente isso que não quero mais. Quero ir em um só, e ficar de boa. E, quando decidir ir embora, ir pra minha cama tirar o cochilo da tarde que tanto amo.

Fui linda e decidida e escolhi um por dia. Os outros não fui. Em um deles, decepcionei a pessoa. Mas acho que prefiro decepcionar ela do que eu. E ela supera, né, gente?


daqui pra frente, tudo vai ser diferente... ihhhh, tô cantando Roberto Carlos?

sábado, 15 de setembro de 2012

A (difícil) arte de assumir a culpa

Então que, munida da raiva e paralisação do post abaixo, fui me queixar na orelha da minha terapeuta. Mimimi que eu não tenho ninguém que me ajuda, e ainda por cima atrapalha. Mimimi que todo mundo me cobra. Mimimi que o final de semana não é meu. Mimimi que não consigo ser dona da minha vida.

Ela corta, e diz: Mara, então você vai ter que parar de ser fofa e não querer desagradar todo mundo. A viagem estava quase fechada? a mulher se meteu? avisa então que você dará o prazo de 2 dias para que ela responda, senão fará do seu jeito. Porque cada um tem o seu tempo, para ela provavelmente 15 dias é um prazo normal para dar resposta, e não tem idéia do quanto essa demora está te angustiando. É você que deveria colocar a situação na mesa, mesmo com toda delicadeza e "fofura" que você gosta de tratar as pessoas.

Isso fez muito sentido. E colocou a culpa no meu colo de novo. E está certo mesmo: eu deixei os outros decidirem por mim. Eu aguardei o tempo do outro. Então a culpa é minha!

Cheguei em casa no maior gás, entrei no site de vendas de bilhetes de trens, fiz a cotação, salvei em PDF e mandei para ela, dizendo que tinha aquele preço, e iria fechar amanhã, pois não podia mais ter prejuízo. Floreei as palavras, fui fofa, chamei de querida, mandei beijinho no final, mas falei o que queria. Duas horas depois, já tinha a resposta dela: ela não conseguia bater meu preço, então eu podia fechar por conta própria!

Ao som de "We are the champions", finalizei a transação. Veio SMS do cartão avisando o débito. Aí descobri que, ao contrário dos bilhetes de Paris e Londres que comprei pelo mesmo site e imprimi em casa, bilhetes da Áustria não podem ser impressos no computador. Levam 8 dias úteis pela DHL para chegar ao Brasil, e na sequência o tempo de correio brasileiro. Eu não tenho 8 dias úteis, eu viajo antes disso. Entrei de novo no site, tentei reverter a compra, tentei alterar o endereço de entrega para o do meu amigo de Viena, nada foi possível. Nenhum SAC, nenhuma forma de contato disponível, mil frescuras para devolver o dinheiro, se ELES julgarem correto. Desesperada, ligo no Itaú e peço para não autorizarem o débito, que não reconheço a compra, etc e tal. A moça vai ver o que pode fazer. Meu estômago embrulha, que ódio! Não posso perder esse dinheiro! Ah, se essa $%*#@ não tivesse demorado 15 dias, eu teria comprado antes, e teria o prazo deste bilhete ter chegado a temp... NÂO, MARA, A CULPA É SUA, NÃO DELA.

Difícil esse exercício, viu?


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Atravessadores

Estava pensando ontem no tanto de coisas com que Deus me abençoou. Mas uma coisa faltou: paciência.

Não sei se é o rumo que minha vida tomou, se é porque sou tão responsável por tanta coisa e não tenho com quem dividir o peso, então me acostumei a fazer tudo, decidir tudo. E com isso vem a falta de paciência.

Quando ia comprar meu apartamento, e já tinha todo o dinheiro para isso, veio o ~fanfarrão~ do Bradesco me oferecer uma proposta maravilhosa: que eu comprasse um consórcio, esperasse 2 meses, desse um lance e daí com a carta de crédito eu compraria meu apartamento. Olhei incrédula pro rapaz e perguntei: "amigo, se tenho o $ disponível, porque diabos vou fazer uma dívida, colocar um intermediário no meio da compra, pagar juros e burocratizar todo o processo??". Bom, ele ainda gastou bastante saliva querendo ter razão, eu encerrei dizendo que ia pensar e óbvio, nunca mais atendi as ligações dele. Essa situação é bem óbvia, mas ao longo da nossa vida colocamos "atravessadores" no meio, e dificultamos as coisas. E eu, cada vez menos, sei lidar com isso.

Daqui 15 dias, viajo para a Europa novamente. É a terceira vez. Em todas elas, eu planejei e comprei a viagem sozinha. Compro passagem, estudo o melhor roteiro, qual o melhor trem, o valor. Entro em mil blogs e sites, pesquiso hotéis no TripAdvisor, reservo e pago tudo daqui com o cartão de crédito. Todas as vezes deu certo. Minha irmã já me chama de sua "CVC particular".

Aí vem a vida e faz a bagunça na sua programação. Reencontrei uma amiga do meu pai, de muitos anos, há uns 10 dias. E olha só que coincidência, ela tem uma agência de turismo. Pode deixar, Mara, faço isso tudo pra você, não precisa se estressar com isso. Meu pai me olha, e pede que eu dê uma chance. OK. Bom, resumo da ópera: todos os hotéis que ela arrumou eram mais caros que os Ibis que eu cotei. O hotel de Lisboa ela conseguiu pelo mesmo preço que eu. Então fiz Lisboa com ela, e os outros faço por aqui. Bom, para fechar o hotel de Lisboa a agência me pediu tanto documento, fax, xerox, contrato, que me fez pensar o quanto teria sido mais fácil eu mesma fechar pelo site português. Cabe ainda dizer que, enquanto esperei 10 dias pela cotação dela, perdi a promoção do Ibis de Viena e o quarto aumentou 60 euros, para nossa alegria.

Falta comprar as passagens de trem, que ela jurou por tudo que é mais sagrado, que consegue mais barato que eu no site. Oremos. Mas sendo sincera, não tenho muita fé não. A impressão que tenho é que quem faz o melhor por mim sou eu mesma.

domingo, 9 de setembro de 2012



Tento me responder todo dia e não consigo...

domingo, 2 de setembro de 2012

Stress anunciado

Não sei se já disse aqui, mas com a morte da mamãe, os "idosos" da família ficaram por conta de minhas irmãs e eu. E quando eu digo "idosos", digo com aspas, porque não temos doentes, todos tem saúde, disposição, opinião, as ranzinzices evoluíram e as coisas tem que funcionar num ritmo muito específico e determinado.

O aspecto HORÁRIO é o pior. Se você convida para uma festa às 20hs, não tem essa de ficar de boa em casa, tomar banho tranquila, e sair 20:30 e chegar num atraso até esperado pelos anfitriões. Não! Significa que ás 19:30 minhas tias estarão prontas, esperando a carona, resmungando pelos cantos, ameaçando ir de taxi porque não podem confiar nas pessoas...

Domingo é aquele dia, para mim, de stress. Não posso acordar tarde, tomar café ao meio dia e almoçar quando der fome. Porque se não almoçarmos às 13hs, provavelmente teremos um AVC coletivo. Então muitos domingos eu almoço sem vontade. Ou passo lá, enrolo um pouco, e vou almoçar de verdade com amigos depois das 14hs. Com pessoas que curtem o ritual da comida, do relaxamento, do ficar de boa no fim de semana...

Hoje, mais um domingo desses... no meio da refeição. recebo um email de uma prima, convidando para o festa de 70 anos de um primo querido. Pedia que eu avisasse a todos, e confirmasse a presença para ela se programar. A festa super legal, cheia de mimos para o pai dela, será dia 19 às... 15:30 da tarde.

A reação?


Ri muito por dentro observando os quatro tentando manter a compostura, fazendo perguntas sobre o evento, mas com uma cara de horror. Dentro deles certamente se perguntavam como iam esperar para almoçar às 15:30! Era nítido ver o quanto esse horário afetou tudo. A perspectiva de comer tarde numa refeição futura atrapalhou a refeição atual!

Enquanto muitos seguiriam suas vidas tranquilamente, tenho certeza que elas pensarão sobre isso todos esses dias, sofrerão por antecedência e... querem apostar quanto que vão fazer um "lanchinho" antes de ir?