terça-feira, 18 de outubro de 2011

Tem coisas...


... que a gente não pode morrer sem fazer ou ver.
Estou tirando algumas dessa lista...
:)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Novos ares


É a minha primeira vez na Europa. Viagem chata de 11 horas sentada numa lata de sardinha, fuso, correria. Começa-se pedindo para o motorista do taxi nos levar à rua Dusseldorf, ele entende a cidade de Dusseldorf, e, noventa euros mais tarde, corrigimos questão.

Hoje, tive meu primeiro compromisso profissional. Seminário de um dia inteiro, muitas idéias e dúvidas. Mas também muito cansaço. Quando acabou, ia para o hotel encontrar os outros. Saindo do pavilhão, fui recebida de braços abertos por aquele frio alemão. Fechei o casaco, coloquei a mão no bolso e atravessei a rua, em direção ao ponto do bonde.

Enquanto andava, me veio um delicioso gosto de Europa. Parecia que estava num filme. E eu era a protagonista. Andar sozinha e não entender lhufas dos nomes nas placas. Liberdade. Anonimato. Não consegui evitar um sorriso bobo nos lábios. E assim, feliz, anônima e européia, peguei o bonde e fui para o hotel.

Gosto de mim quando fico assim. Leve.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Cadê meu PPV?

Eu queria ter meu BBB particular. Quer dizer, o BBB eu já tenho: os amigos, os falsos que querem ser amigos, as intrigas, as armações. O que falta pra mim é o acesso ao pay per view, onde eu veria tudo que está gravado.

Eu tenho uma sensação. Mas guardo para mim, pois não quero manipular ninguém, não quero ser injusta e fazer alguém perder o emprego por implicância ou ciúme meu. Aí chega alguém e me desabafa sobre atitudes da pessoa. Quando eu vejo, já estou inflamada e espumando de ódio. Daí eu tento me acalmar, porque não quero tomar atitudes precipitadas. Aí vem outra pessoa e me fala mal daquela que me falou mal da outra pessoa (ufa!). E às vezes até tem razão em alguns pontos (porque ninguém é certo em tudo o tempo todo, né?). E eu me sinto sufocada, e fico tentando, naquele mar de opiniões e fofocas, lembrar da MINHA intuição e sentimentos. E por fim, eu vou desabafar e pedir orientação para uma quarta pessoa. Que também vai dar seu pitaco. Só que eu também acabei por manipulá-la.

É muito difícil e estafante. As pessoas acham que ter poder é fácil, sonham com o dia que forem diretores de uma empresa, que farão o que bem entender. Não tem idéia do quanto é difícil.

Preciso do Boninho pra dirigir o meu BBB e do Bial para explicar para mim fazendo poesia.

Não aguento mais não.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Aversão

Minha amiga Aninha quase perdeu a visão. Teve uma série de problemas, cirurgia de emergência. Teve que adiar o casamento marcado. Quando a coisa estava se reordenando, o noivo terminou o relacionamento, sem grandes explicações. De todo drama vivido, ficou grudada na minha mente uma frase que ela disse:

- O que será que eu não estava vendo?

Nunca me esqueci disso. Ela acreditava firmemente que a cegueira física dela estava associada a alguma cegueira subconsciente. Quando ela começou a ver as coisas, começou a resolver a vida dela. Matando dois coelhos com uma cajadada só, ela ainda reformulou seu trabalho para algo mais prazeiroso. Grande Aninha.

O fato é que não suporto mais fazer uma certa tarefa do meu trabalho. Antes eu não gostava. Hoje não dá mais. Simplesmente. Preciso fazer um relatório há 15 dias. Cada dia arrumo uma desculpa para não fazer. Não consigo. Sento e começo a fazer outra coisa. Até louça eu lavei. Enrolo nas redes sociais. Faço esse post aqui. Deito na cama e rolo de culpa. Mas é incrível: todos os poros do meu corpo rejeitam isso. Meu olho dói. Meu pescoço não vira. Minha tendinite me impede de digitar. Impressionante. Estou como minha amiga Aninha: ficando cega, torta, deficiente da mão. Tudo porque não quero admitir que não aguento mais fazer isso. Ou admito, mas não consigo achar uma solução e passar essa bucha para frente.


Preciso me libertar. Juro que vou cuidar disso.

domingo, 25 de setembro de 2011

Mundo limitado

Tem uma coisa que nunca falei aqui. Fui pesquisar para ter certeza, e vi que citei muito por cima, então não conta. Eu fiz redução de estômago em 2006. Fiz dieta líquida, pastosa, tomei vitaminas. Emagreci 60 quilos. (e não pense você que fiquei magérrima com 60 quilos a menos, ainda faltava um bom caminho). Um casamento terminado e a perda de uma mãe depois, recuperei 20 quilos. Mas talvez essas coisas sejam só desculpas, sei exatamente onde errei. Onde saí do caminho. Caminho para o qual tento voltar até hoje. Mas vamos que vamos.

Mas se tem uma ilusão que nunca tive foi que a magreza/obesidade traz felicidade/infelicidade. Muitas pessoas gordas vivem a certeza de que o dia que forem magras serão felizes. Como se gente magra não ficasse doente, levasse pé na bunda, fosse traída, perdesse emprego. É pessoa como qualquer outra, e as coisas acontecem. E a pessoa acha que TUDO na vida se resume à sua condição física.

Ontem fui numa palestra, e sentou uma mulher ao meu lado. Começamos a conversar, e ela olhou para a Coca Zero em cima da mesa e disse: "dava tudo para beber essa coca". Perguntei se ela tinha feito promessa ou algo parecido. Ela respondeu que não, que tinha reduzido o estômago e não podia beber coca. Perguntei quanto tempo tinha de operada (porque realmente nos primeiros meses não pode refrigerante), ela respondeu QUATRO ANOS. Juro, minha vontade era esbofetear a pessoa e mandar ela virar o disco, mudar de assunto, parar de frescura, lavar louça, qualquer coisa. E quando eu achei que não podia piorar, ela disse que só bebia refrigerante quando misturava água, para aplacar o gás. Que nojo! Fiquei quieta e não disse que também era gastroplastizada. Não tinha intenção alguma de trocar figurinha com gente descompensada.

Quando eu deletei meu orkut, perdi contato com muita gente que conheci da gastroplastia. Pois esse povo todo está me achando no Facebook. Aceitei uma delas esses dias. Na época, ela tinha emagrecido bastante, tinha aparecido em revista e programas de tv, dando testemunhos da "oitava maravilha do mundo" que é a cirurgia bariátrica. Quando vou olhar o Facebook da mulher, adivinha o que ela estava falando?? que tinha acabado de dar uma entrevista para a Tv Gazeta sobre gastroplastia, para todos assistirem, etc e tal. Fiquei olhando, incrédula. Cinco anos se passaram, e a PESSOA ESTÁ FALANDO SOBRE A MESMA COISA. Não arrumou um emprego, não teve filho, não fez uma faculdade, não fez trabalho voluntário. Nada. Nada de novo. Como que aguenta falar a mesma coisa por tanto tempo? Não tem outros sonhos, outros objetivos? Não é possível que sua única meta de vida seja ser magra. É muita limitação, meu Deus!


Juro. Tenho minha vaidade. Mas gosto de pensar que, além do meu corpo, sou meus sonhos, meus planos, meu trabalho, meus amigos, minha família, minhas viagens, tanta coisa... tanta coisa nesse mundo para se ficar num assunto só!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Se prepara, Patrick!

- Quando você morrer, Mara, eu já terei partido. Para você me encontrar lá do outro lado, vai ser bem simples: estarei na mesma região que o Patrick Swayze.

Vânia, a minha guru querida e amada, sempre falou isso. Sempre achei graça. Porque só uma pessoa tão bonita, tão cheia de vida, de bom humor, de alegria de viver, sabia falar disso. Ela reconstruiu a vida após a morte do filho, do marido. Aos 65 anos de idade, ainda conseguiu encontrar um novo amor. E desfrutou dele como se fosse uma adolescente.

É por essas e outras que ela é minha guru. Sempre mensagens de otimismo, de superação. E ela ainda conseguiu enrolar esse câncer por 4 anos. E enquanto a gente ficava incrédulo, ela nos preparava para sua partida. Mas essa partida está muito próxima agora. Hoje ela vai fazer um procedimento, e será colocada em coma. E desse coma não vai sair mais.

A gente se engana demais com esse negócio de morte. Quando minha mãe faleceu, do nada, a gente entrou em choque, e pensou: "se estivesse doente, a gente se preparava". Nada. Vaninha nos preparou a vida inteira, e não tem preparo para esse aperto no coração. Só consigo pensar no quanto eu queria entrar no quarto dela por um minuto, dar um beijo e dizer que a amo.

Minha guru, minha amiga, minha "ídola": chega de sofrer, você não merece. Patrick, manda essa luz para minha Vaninha, e se prepara, que o céu vai ficar bem divertido!!





Update das 01:09 do dia 16/09: Vaninha finalmente descansou... Fica com Deus, meu amor!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

#telefonema da depressão

Estranho. Sempre ouvi pessoas se queixarem de que, ao contarem alguma coisa ruim para uma pessoa negativa, essa pessoa sempre tinha doença pior, emprego pior, filho pior, cabelo pior. Parece competição de infelicidade. Opa, não quero. 

 Mas estes dias, deliberadamente, fiz exatamente isso. Falei com uma pessoa que não falava há uns tempos, e perguntei como ela estava. Levou 5 minutos contando todas as doenças, coceiras, dores e infortúnios dessa vida. Fiquei ouvindo ali, meio passada. Não sobrava espaço para falar de mim. E eu queria falar das boas novas que o astrólogo me disse na última consulta. Queria falar que minha amiga comprou um apartamento lindo. Que uma outra amiga está em estágio terminal de câncer e estou sofrendo com isso. Que eu respondi meus emails e fiquei mais leve. Que eu vou para Paris daqui um mês. Que minha irmã foi finalmente fazer o safari na África que ela sonha desde os 5 anos de idade. Que eu comi num restaurante novo e adorei. Foi tanto balde de água fria que só consegui dizer: 

- É. minhas erupções de pele por causa do stress estão com tudo. 

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Xaveco na terceira idade

Fui almoçar no shopping com o André. E eu achei que o ponto alto era a mocinha do CQC entrevistando o povo na praça de alimentação segurando uma melancia. E ainda periga eu aparecer atrás de uma entrevistada, totalmente papagaia de pirata.

Após o furdunço da praça, fomos comer brigadeiro no Amor aos Pedaços. Sentamos no sofá e começamos a conversar, quando entra um casal idoso. Ele senta a senhora na cadeira, beija a mão dela e se dirige ao balcão para fazer o pedido. Achei fofo. Daí ele grita de lá:

- Professora, quer só o café ou um docinho?

Aí me emocionei, meu pai chamava minha mãe de professora (mesmo ela não exercendo essa profissão desde antes de se conhecerem). Aí ele gritou de novo se ela queria água, e a chamou de "bem". A senhora negou com a cabeça e olhou na minha direção, percebendo que eu estava prestando atenção na conversa deles. Sem graça, sorri e disse:

- que lindo o jeito que ele te trata!

Então ouvi tudo o que nunca imaginei escutar:

- Ah é? Então quando ele voltar para a mesa, pergunta o nome dele porque eu não sei. Ele me pegou alí no corredor, fica me abraçando, me beijando a mão, me fazendo poema, e eu não faço idéia de quem é esse homem!.

Eu e o André ficamos naquele momento de incredulidade e sem saber o que fazer. A primeira coisa que passou na minha cabeça foi que a senhora tinha Alzheimer, e não lembrava do marido. Aí ele chegou na mesa, e reparamos que não usavam aliança. André se encheu de coragem e perguntou o nome do senhor. Chama-se Antonio, e abriu a vida para nós: tem 80 anos, advogado aposentado, professor de Administração e Contabilidade na Faculdade de Medicina (oi?) de Atibaia. E hoje ele "cultiva" cristais (oi?). Mas que hoje, 25/08/2011, ele encontrou a maior jóia da vida dele, a dona Ida, e essa ele não deixaria escapar.

Detalhe: enquanto ele falava essas coisas para nós, dona Ida lá atrás ria e fazia careta, como que dizendo: "esse véio é doido!" Ele percebeu, virou para ela e começou a cantar uma ópera, e emendou em declarações de amor em francês. Perguntou para mim se eu falava francês, disse que não, então ele me perguntou if I speak English, e começamos a conversar em inglês.

Bom, chegou uma hora que eu precisava voltar para o trabalho, então nos despedimos. Brinquei com dona Ida e falei para ela ficar esperta, que homem é uma raça muito esquisita. Ele riu e desejou felicidades para nós dois. Fomos embora com a certeza de ter presenciado o xaveco mais surreal de toda a história.

Tomara que dona Ida seja esperta e não caia na lábia do seu Antonio!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Socializo, logo consumo

Nos últimos dias, estive presente em alguns seminários e congressos sobre livro digital, mídia social, propaganda, etc e tal. E é unânimidade que TODO MUNDO tem que estar no Twitter, que sua empresa tem que estar no Facebook, que a integração com o seu consumidor blá blá blá...

E eu me pego pensando com meus botões: "É?" Quer dizer... eu abro minha conta no twitter para falar bobagem, comentar reality show, dizer que o Rodrigo Lombardi é lindo. Tempos depois, pessoas que trabalham comigo descobrem meu twitter, e eu tenho que policiar o tamanho das minhas bobagens. E ainda recebo conselho de que deveria comentar mais sobre o mercado onde trabalho. Respondo que, quando quiser usar meu @marinha como trabalho, eu crio o @marameusobrenome e vou lá.

Aì eu crio o meu Facebook. Com o mesmo intuito: falar com os amigos, com meus familiares que moram longe. Contar uma piada, reclamar de alguma coisa genérica, postar uma música. Mas claro, as pessoas que trabalham comigo me adicionam. Povo que eu conheço profissionalmente me adiciona. Gerente do banco me adiciona. E eu tenho que repensar o meu comportamento. Afinal, o presidente da associação de classe do mercado onde atuo é meu amigo. E ele só posta coisas sérias, o que ele vai achar de mim se eu postar bobagens?

E, como se não bastasse, ainda tem as propagandas. Amiga me sugere que eu curta o Ford Focus. Amiga, só vou curtir o Ford Focus se eu ganhar um de presente, #fikdik. Curte a Brastemp, o Sonho de Valsa, a L`Oreal... Mas que saco! eu criei esse facebook para INTERAGIR COM PESSOAS, e não com marcas!

E então voltamos ao início desse post: os especialistas sugerem que as pessoas participem das redes sociais. Para quê? Para ser mais um que copia e cola no mural? Para dar RT em bobagem? Querem as pessoas nas redes sociais só para ampliar a gama de CONSUMIDORES. Só isso.

E lá vou eu. A Mara Pessoa Física acha isso tudo um saco. E a Mara Pessoa Jurídica, fazer o quê? Tem que se render a abrir as redes sociais da empresa...