sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Cidoca

Minha fama com empregadas não é das melhores. Não que eu seja desumana, ou pegue no pé, ou seja chata. É que qualquer pessoa, por melhor que seja, comparada à bondade e doçura da minha mãe, é considerada chata. Minha mãe permitia tudo, aceitava as desculpas mais esfarrapadas. E eu colocava ordem. Então era a chata. Sou chata.

Há 6 anos saí de casa. Quando saí, decidi o tipo de pessoa que queria que trabalhasse comigo. Não sou exigente, mas não gosto de nhé-nhé-nhé. A primeira pessoa que contratei não deu certo, e levei um ano para demití-la (minha mãe, na mesma situação, levou 20 anos..). Em seguida veio a Cida, que estava comigo até ontem.

Não que ela seja perfeita. Ela fala mais que o homem da cobra, tem dia que chega com um mau humor dos infernos. Mas ela tem semancol, ela cumpre o trabalho dela sem firulas, e não me perturba com seus problemas pessoais. Ela comenta por cima e pronto. (A empregada da minha mãe fica o dia inteiro reclamando do cartão de crédito que ela não tem dinheiro para pagar - quase que mandei ela ir a uma sessão espírita tentar ver se minha mãe pagava, porque de mim não sai mesmo!)

E ontem foi o último dia de Cida aqui. Vejam bem, ela perdeu o emprego. O que ela fez? encaixotou todas minhas coisas de cozinha e cama, mesa e banho. Detalhe: sem eu pedir! Embalou no jornal, fechou caixa, etiquetou. Tudo no maior carinho. Ela fez em 6 horas tudo que adiei desde domingo! E quando voltei achei esse bilhete:


É inevitável a comparação com a empregada da minha mãe. Acabamos de perder a mãe, e a pessoa não tem a sensibilidade de perceber o momento difícil que nós estamos passando, e nos atazana com seus problemas, que não temos nada a ver. Já Cidoca, que perdeu o emprego, percebe meu momento de mudança, que isso não é algo pessoal, e me ajuda até o último dia. Isso é realmente demais. O que falta às pessoas é o exercício de se colocar no lugar dos outros.

Cida, tenha certeza! assim que tiver minha casa de volta, vou precisar de você. Porque nós precisamos de pessoas que facilitem a vida da gente, não que atrapalhem.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Basta!

Eu escrevi o post abaixo no dia 01. No dia 02 resolvi mudar. Ia enrolar aqui uns 6 meses, mas não deu. Chega uma hora na vida da gente que temos que avaliar a real importância das coisas. Eu suporto Britto Jr há 6 anos. Já fomos amigos, e depois da pisada de bola dele, mal nos tolerávamos. Aí ele inventou o aumento, eu não aceitei. Ok, isso você já sabia no post abaixo.

O que você não sabia é o seguinte: Britto tem 2 opções: ou pede a revisão na justiça, ou pede a desocupação do imóvel. Só que percebi que ele não vai fazer uma coisa nem outra. O que ele vai fazer é me procurar semanalmente, mensalmente, e bater na mesma tecla, over and over and over and over and over...

E é esse o momento do basta. Quando se vive uma situação limite como a minha, de perder a mãe, você repensa muita coisa da vida, o que tem valor e o que não tem. Então eu decidi que não preciso mais aturar essa pessoa. Na minha escala de pessoas e prioridades, Britto Jr está lá no final. Eu tenho uma relação facilmente "rompível" com ele. Então, tchau! Quero boas energias na minha vida, quero chegar em casa e chamar de lar, não de inferno.

Voltarei para a casa dos meus pais até comprar meu apartamento, ainda estou decidindo o que fazer com os móveis. Vai ficar tudo bagunçado, vou perder privacidade, minhas irmãs acordarão gritando, os cachorros e gatos vão tirar meu espaço na minha cama. Sim, eles vão encher o saco. Mas são PESSOAS QUE EU AMO enchendo o saco. De quem eu não amo não tolerarei mais isso.

(*) ah, alguém teve essa dúvida: somente esclarecendo, Britto Jr é um nome fictício, em homenagem à semelhante aparência física da figura

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Brigas mentais

Você já brigou mentalmente com alguém? Então sabe bem como é. Você está com raiva e pensa num monte de impropérios para dizer para a pessoa. Daí imagina qual seria a resposta dela (e esta nunca é apaziguadora). Então você briga mais ainda. E mais, e mais... transformando seu dia numa trincheira!

Eu brigo mentalmente com um indivíduo, vamos chamá-lo carinhosamente de BRITTO JUNIOR, há pouco mais de um ano. Ok, não sou xarope totalmente, eu briguei pessoalmente também. Mas nos outros dias que não falo com ele, quando penso nele a briga vai longe.

Britto Junior é o dono do apartamento onde moro. Sempre tivemos relação pacífica e amigável. Eu cedi em várias bobagens, por dó da triste figura que ele é. Até o dia que cometi um engano. Daí Britto Junior esqueceu todas as gentilezas e resolveu fazer valer o contrato. Isso me feriu de uma forma absurda. Nunca fui questionada na minha idoneidade. Imagina, logo eu que sou a mais caxias do mundo! E então resolvi pedir de volta todas as bobagens que cedi no contrato. E ficamos nesse bate boca, mas ninguém faz nada.

Essa pendenga completou um ano agora. Este mês, exatamente no dia da missa de 1 mês da minha mãe (sim, porque o mundo não para por causa da sua dor, saiba disso), Britto resolve reajustar aluguel como se não houvesse amanhã. Então é isso. Fiz o que deveria ter feito há um ano atrás: consultei uma advogada.

Queria dizer que foi a melhor coisa que fiz. Não que mude muito a minha vida. Ela entendeu que eu me sinto injustiçada e com razão, mas explicou aonde eu não vou ter razão aos olhos da justiça. Eu não posso ceder e depois voltar atrás e cobrar 4 anos retroativo. Isso é picuinha. Foi um papo bem legal. Entendi aonde posso mexer. Hoje vejo quanta energia gastei com raiva, com mágoa dessa pessoa. E isso, mediante tudo o que aconteceu, é tão pequeno...

Minha conclusão? é um ciclo da minha vida terminando. Eu vim para este apartamento com um sonho de constituir família. Mas o casamento acabou, o marido se foi, eu fiquei. Esse apartamento já tem um pouco a cara de sonho destruído. Todo esse auê com Britto contribuiu para esse saco cheio. Agora, com a morte da minha mãe, é hora de repensar novos caminhos, novos lugares, novas paredes.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Um mês sem você, mãe...

Quando fez uma semana, eu sabia que o tempo ia passar rápido. E é verdade. Hoje faz um mês que você nos deixou. Ainda consigo escutar dentro de mim nossa última conversa pelo telefone. Mal sabia eu que era a última vez que escutaria essa vozinha...

Passou um mês. E o que fizemos dele? mexemos em armários, gavetas. Resolvemos contas, bancos, seguros. Avisamos e consolamos pessoas, fizemos missa. Rezamos. Lembramos de você, imitamos suas atitudes histéricas, terminando com aquele palavrão recentemente incorporado ao seu vocabulário. Domingo joguei buraco com as tias, e quando "abri novas frentes", lembramos o quanto a senhora emperrava o jogo dos outros fazendo joguinhos toscos... ai, mãe, que falta você faz!

Nesse meio tempo, eu ainda fui para a Disney. Nos meus pensamentos mais doloridos e masoquistas, achei que podia estar te desrespeitando. Que nada! a viagem foi boa! Quantos brinquedos eu não fui pensando em você? sei que fez comigo o vôo de bicicleta do ET. No 3D do Shrek você ficou histérica com a presença da aranha fazendo cócegas na perna! Vibrou com a montanha russa da Múmia, do Homem Aranha. Você estava o tempo todo comigo, mãe. Sei disso. Mas no final da viagem, mãe, faltou alguém para trazer lembrancinhas...

Ontem o pai também chegou de viagem. Ele colocou a mala sobre a mesa, e lá ficou. Não foi ninguém lá abrir, ver os presentes, guardar as coisas. Dias atrás, ele ligou para mim no seu ramal, e me chamou de Néquinha, no piloto automático. Foi dolorido para ele e para mim. Nós sentimos sua falta em cada detalhe, cada coisinha...

Mãe, nossa vida está seguindo, pode ficar tranquila. A gente quer que a sua siga também, aonde for. A gente se diverte, não tem ninguém chorando o tempo todo. É só essa saudade que aperta, e a certeza de que teremos que reaprender a viver felizes sem você por perto, fisicamente. E quando quisermos conversar, desabafar, sabemos que sempre teremos essa estrelinha no céu, olhando por nós.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Back!


Sim, as férias acabaram...
Tenho muitos assuntos paralelos para comentar, isso vai dar pauta para o blog por muito tempo. Mas o que posso dizer de momento é:
1. Entrar nos Estados Unidos é o uó.
2. Disney é lavagem cerebral, mas é delicioso e quero voltar sempre!
3. Certeza que a mamãe vibrou comigo nos parques da Universal
4. Impressionante como chegar de orelhas de Minie causa comoção!

sábado, 5 de setembro de 2009

Enfim, férias...

A mamãe queria...
O Bono ajudou...

FUI!!!


manhê...

Eu tô tentando seguir minha vida. Eu vou viajar hoje, essa viagem que você estava empolgadíssima que eu ia fazer. Vou comprar os esmaltes e cacarecos que a senhora encomendou. Eu estou tentando, mãe. Estou tentando falar de outros assuntos, estou fazendo piadas... mas falta você.

Quando eu chegar lá, para quem vou avisar que a viagem correu tudo bem? Com quem vou deixar meus telefones de emergência?

Acabei de descarregar minha câmera, para ter espaço para fotos da viagem. Levei um susto. Tinha foto sua da festinha surpresa que te fizemos em julho. Tem foto sua no treinamento dos funcionários. E tem foto sua assistindo uma palestra. E eu tive que formatar a memória da máquina. Eu formatei você, mãe!! E sei que a partir de agora nunca mais baixarei nenhuma foto sua.

Manhê, eu vou viajar. Eu sei que vou me divertir. A minha vida vai ter que seguir, e a sua lembrança vai virar uma saudade gostosa, eu sei. Mas ainda é muito estranho. A única coisa boa é que, na minha volta, não vou precisar te mostrar as fotos nem te contar os detalhes da viagem. Porque a senhora vai junto, dentro do meu coração.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A Rainha

Ontem assisti "A Rainha", filme com a Helen Mirren no papel título. Passou no cinema em 2007, mas eu não vi. Não vou fazer grandes análises do filme, achei ele mais documentário que outra coisa, mas ele me fez pensar um pouco. E é bom quando a gente pensa um pouco.

O enredo do filme é o seguinte: Tony Blair acaba de assumir o cargo de Primeiro-ministro, e logo após a Princesa Diana sofre o acidente fatal. O filme se passa na semana entre o acidente e o enterro. A rainha, que não considerava mais Diana parte da família real, visto que se divorciara de seu filho Charles, não vê motivo para bandeira em meio mastro, declarações públicas, e se retira para a casa de campo real. E a opinião pública se revolta com a monarquia, condena sua frieza, e questiona sua relevância no mundo atual.

O filme é interessante pois o que mostra é uma rainha presa a tantas convenções desde menina que é muito difícil se adaptar. Mas o filme é bem isento: não a mostra como vilã, nem a Diana. Só mostra como é difícil a uma sogra se afeiçoar a uma ex-nora que, certa ou errada, trouxe tantos dissabores e questionamentos a seu modo de viver.

Sempre é interessante ver o outro lado.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Belo protesto

Assista esse vídeo, leia a legenda...



A explicação:

Dave Carroll teve seu violão danificado pela United Airlines. Tentaram de todas as maneiras, numa peregrinação sem fim, ter o valor de US 2,000.00 ressarcidos. Todas as instâncias foram negadas, a companhia aérea dizia não ter responsabilidade pelo conteúdo da bagagem (?!?!)

Eis que eles resolveram transformar essa saga nessa musiquinha legal. O resultado? virou hit. Diz a lenda que a United já ofereceu milhões para eles tirarem do ar, e pararem de cantar nos shows, sem sucesso. A banda responde que a época de negociações já terminou.

Ah, se todos nós tivéssemos esse poder de fogo para protestar por maus atendimentos...